Usando programas básicos de gerenciamento

Usando programas básicos de gerenciamento

Ao instalar o Wine na maioria das distribuições recentes, usando os pacotes da distribuição, normalmente são instalados atalhos para o editor do registro, gerenciador de arquivos (estilo antigo, o “winfile” do Windows 3.x ou NT 4.0), etc. Porém, ao fazer a instalação manual ou mesmo em algumas outras distros, os atalhos podem não ser criados. Vale a pena conhecer algumas ferramentas do Wine, especialmente o editor do registro, que simula o editor do registro do Windows:

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Ele edita o registro do Wine, que segue o mesmo estilo do do Windows, para manter compatibilidade com os programas. Chame essa interface com o comando:

$ wine regedit

Usando seu login de usuário, claro. Muitas vezes é bem prático abrir o regedit para alterar algumas coisas, opções dos programas, etc. Claro que aqui você não encontrará as configurações do Windows, nem as dicas de otimização via registro funcionarão, hehe. Serve para alterar opções usadas pelos programas. Diferentemente do registro do Windows, que é formado por vários arquivos binários num formato próprio e salvos em diversos lugares, o registro do Wine é formado por dois arquivos de texto, que ficam na sua pasta “~/.wine” (o til substitui o caminho da sua pasta “Home”, você pode inclusive digitar exatamente assim na barra de endereços do seu gerenciador de arquivos). O arquivo “system.reg” na pasta .wine contém as configurações gerais do Windows e do “sistema”, normalmente a maioria que ficaria nas chaves HKEY_CLASSES_ROOT e HKEY_LOCAL_MACHINE., e o “user.reg” contém as informações da chave HKEY_USERS. Eles são arquivos de texto puro que lembram os arquivos .ini, então para editar várias coisas ou fazer substituições, pode valer mais a pena abri-los diretamente. A interface do editor do registro do Wine (que, convenhamos, parece uma “cópia perfeita” do editor do registro do Windows) é útil para quem não se sentir bem alterando os arquivos de configuração em texto puro, além de ser prática por ser familiar aos usuários do Windows;

Além disso há alguns outros programinhas que “imitam” alguns do Windows, seja em recursos e funcionalidade ou na aparência. Com o comando wine notepad você abre um editor como o Bloco de notas do Windows, e wine winfile abre um gerenciador de arquivos no estilo antigo, do Windows 3.x ou NT 4.0. Um útil também é o winhelp, que abre arquivos “.hlp”, da ajuda antiga. Basta chamá-lo com wine winhelp. Arquivos da ajuda em HTML, de extensão “.chm”, ficam mais complicados, devido o uso do IE. Outro bom, incluso no Wine também é o regsvr32. Para que alguns programas funcionem, algumas DLLs ou arquivos OCX devem ser registrados, esse regsvr32 faz o que o do Windows faria – normalmente adicionar chaves no registro, ao chamá-lo passando um arquivo como parâmetro, ele procura a função de registro no arquivo e a executa. Um outro é o taskmgr, o gerenciador de tarefas, que imita bem o do Windows também, e lista apenas os programas rodando sob o Wine.

Os programas instalados com instaladores normalmente adicionam entradas no registro do Windows, numa chave especial para desinstalação. Ao abrir o item “Adicionar ou remover programas”, o Windows lê essas chaves e lista os programas encontrados. O Wine inclui também um desinstalador, que faz a mesma coisa. Chame-o com wine uninstaller:

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Esse já não tenta imitar o Windows visualmente, apenas cria uma interface que permite chamar os desinstaladores dos programas, caso os mesmos os tenham configurado.

Associando arquivos a programas executados via Wine

As versões recentes do Wine permitem que os programas chamem os arquivos em geral usando tanto a nomenclatura do Windows como a do Linux. Traduzindo, isso quer dizer que os programas podem chamar os arquivos com o caminho como C:arquivo.etc ou /mnt/hdax/arquivo.etc. O Wine entrega o arquivo corretamente, e o mesmo ocorre ao mandar salvar ou gerar um arquivo em qualquer programa. No entanto, alguns programas incluem muitos verificadores, e caso o nome completo do arquivo (caminho) não comece com uma letra, seguido de dois pontos e uma barra, então o programa pára e exibe uma mensagem de erro. Nesses programas você não poderá usar a nomenclatura Linux. Deverá mapear as pastas desejadas com letras de unidades para o Wine.

Enfim, essa explicação dei para tratar do tema agora: associação de arquivos. Supomos que você tenha um tipo de arquivo que queira abrir no seu programa preferido, mas esse programa existe apenas para o Windows, e consegue ser executado pelo Wine. Em vez de abrir o programa, ir em “Arquivo > Abrir” e localizar seu arquivo, é possível abri-lo diretamente a partir do seu gerenciador de janelas, dando um duplo clique. Dependendo do programa em questão, você nem lembrará que ele está rodando no Linux 🙂

Fazer isso é fácil. Na verdade basta associar o arquivo no sistema dando como linha de comando o wine, seguido do caminho completo do programa desejado para abrir o arquivo. Eu, por exemplo, desenvolvo um editor de textos para Windows, e o utilizo mesmo estando no Linux, com bem poucas deficiências. Um exemplo da linha de comando, seria:

wine “C:Program filesMep TextoMepTexto.exe”

Ou até mesmo usando a notação “Linux”:

wine “/home/marcos/.wine/Program files/Mep Texto/MepTexto.exe”

Note as aspas se o caminho tiver espaços, e não se esqueça de que os nomes e caminhos dos arquivos no Linux distinguem maiúsculas de minúsculas.

Essa é a linha de comando. Para associar os arquivos efetivamente, dependerá do seu ambiente gráfico ou gerenciador de arquivos. No Konqueror (do KDE), por exemplo, isso se dá pelo menu “Configurações > Configurar o Konqueror”, na categoria “Associações de arquivos”. Localize o tipo de arquivo desejado, por exemplo, digitando a extensão. Caso não tenha, clique no botão “Adicionar” e informe a extensão desejada (abaixo do quadro “Tipos conhecidos”, já que há vários botões “Adicionar” nesta tela :). Veja um exemplo, para arquivos de texto puro:

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Digitei “txt” no campo de pesquisa, e selecionei o tipo apresentado “plain”, que se refere aos arquivos de texto puro. Lembre-se (ou saiba que, caso ainda não saiba 😉 no Linux os arquivos são identificados pelo conteúdo, e não pela extensão. Por isso o “txt” não basta, é necessário selecionar o tipo “plain”, ficando “text/plain”. As extensões ficam no canto superior direito, clique em “Adicionar” ali e adicione outras desejadas, se for o caso. Altere também, se você quiser, a descrição do tipo de arquivo. Agora a parte mais importante. No quadro “Ordem da preferência de aplicativos”, clique em “Adicionar” e localize o programa que você quer usar, não se esquecendo de informar a linha de comando exata, de forma que o Wine possa executá-lo.

Se o programa em questão já tiver sido instalado, e tiver instalado atalhos reconhecidos pelo Wine, fica mais fácil. Você não precisará digitar a linha de comando, podendo selecionar o programa numa lista. Ao clicar em “Adicionar”, abrirá-se uma tela como essa, basta localizar o grupo “Wine” e então o programa desejado:

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Note que ele adiciona a linha de comando automaticamente. Clique no OK, e voltando na tela anterior, selecione o programa que você acabou de adicionar e vá clicando em “Mover para cima”, até que ele fique em primeiro lugar. Normalmente, ao adicionar, ele já fica em primeiro lugar, mas valeu comentar caso você queira alterar ou adicione outros programas posteriormente.

Usei como exemplo a associação para arquivos de texto com um programa em específico, mas vale para qualquer outro tipo de arquivo. Depois não se esqueça de clicar no “Aplicar”, na tela de configurações do Konqueror, para gravar as alterações. A partir daí, os arquivos do tipo e/ou extensão especificados serão abertos no programa indicado 🙂

Em outros gerenciadores de janelas e arquivos o método de configuração será diferente, variando bastante de um para outro. Usando a linha de comando do Wine como comando para associação, não terá erro.

Uma última observação neste tema: se você referenciar o arquivo do Wine usando caminhos no estilo Windows, esses caminhos são relativos aos caminhos configurados no Wine (pelo winecfg) e não têm nada a ver com uma possível instalação do Windows que você tenha no HD. “C:” ali é uma pasta no seu sistema, mapeada como a unidade “C:” pelo Wine.

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