O Intel P35

Em junho de 2007 a Intel lançou o chipset P35 (Bearlake), que marcou o início da migração da plataforma para as memórias DDR3. Assim como fez anteriormente no i915P, a Intel optou por manter o suporte ao padrão anterior, equipando o chipset com um controlador híbrido com suporte tanto a módulos DDR2 quanto DDR3 e deixando a cargo dos fabricantes a escolha de qual padrão utilizar em cada placa.

Na época, os módulos DDR3 eram ainda muito mais caros, de forma que a decisão da Intel acabou cumprindo um papel importante em incentivar a popularização das memórias DDR3 sem com isso perder vendas tentando empurrar o padrão. Como esperado, a grande maioria das placas manteve o uso de módulos DDR2, enquanto alguns modelos de alto desempenho embarcaram no trem do DDR3. Existiram também alguns modelos híbridos, como a Gigabyte P35C-DS3R, que oferecia 4 slots DDR2 e 2 slots DDR3, permitindo que você escolhesse qual padrão usar:

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Junto com o suporte a DDR3, o controlador de memória do P35 recebeu um conjunto de outras melhorias, que representaram uma melhora de 6 a 20% no desempenho de acesso à memória (mesmo ao utilizar módulos de memória DDR2 convencionais), oferecendo um pequeno ganho de desempenho em relação aos chipsets anteriores na maioria dos aplicativos.

O P35 foi também o primeiro chipset a oferecer suporte oficial ao bus de 1333 MT/s usado por vários modelos dos Core 2 Duo e Core 2 Quad de 45 nm, com muitas placas suportando frequências de 1800 MT/s ou mais em overclock.

Outra mudança foi a introdução do chip ICH9. Ele trouxe pequenas melhorias sobre o ICH8, com 6 portas SATA 300 (com suporte a NCQ), 12 portas USB e áudio HDA. Novamente, a Intel optou por não incluir suporte a RAID, fazendo com que os fabricantes tivessem que escolher entre pagar mais caro pelo chip ICH9R (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10) ou oferecer suporte a RAID através de um chip externo de baixo custo, como o JMicron JMB322.

Um recurso muito divulgado na época foi o suporte ao Turbo Memory (tecnologia Robson), que permite que o fabricante inclua uma pequena quantidade de memória flash na placa-mãe para ser usada como cache adicional para o HD. Entretanto, apesar de toda a insistência da Intel, o Turbo Memory acabou sendo usado apenas em um punhado de placas e notebooks, pois o pequeno ganho de desempenho não compensava o aumento no custo.

Temos aqui o diagrama de blocos do chipset. Uma observação é que embora a Intel inclua o chipset de rede no diagrama, ele é na verdade um chip separado. Isso faz com que a maioria das placas incluam chipsets de rede mais baratos, como o Realtek 8169:

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A partir do P35 a Intel deixou de oferecer suporte oficial aos processadores baseados na arquitetura NetBurst, ou seja, a todos os Pentium 4, Pentium D e Celeron D, de forma a pressionar os fabricantes a realizarem a transição para os processadores baseados na plataforma Core o mais rápido possível. Naturalmente, não existe nada que impeça o uso dos processadores antigos nas placas com o P35, mas a falta de testes e certificações fez com que os problemas de compatibilidade se tornassem comuns.

Assim como nos chipsets anteriores, o P35 inclui apenas 16 linhas PCI Express, complementadas por mais 6 na ponte sul. Embora o chipset não permita a divisão em dois slots com 8 linhas de dados, os fabricantes logo encontraram uma forma de oferecer placas baseadas no P35 com suporte a CrossFire, criando um segundo slot x16 usando 4 linhas de dados roubadas da ponte sul. Apesar de estranha, essa configuração assimétrica realmente funcionava, embora com um desempenho mais baixo. Como o P35 ainda utiliza o PCI Express 1.1, as 4 linhas do segundo slot oferecem uma banda de apenas 1 GB/s, equivalente à de um slot AGP 4x.

Um exemplo de placa baseada no P35 é a Asus P5K3 Deluxe, lançada em junho de 2007. Ela é uma placa soquete 775, baseada no P35, com suporte a toda a linha Core 2, incluindo os Core 2 Quad e Core 2 Extreme, além dos processadores Pentium 4, Pentium D e Celeron soquete 775. Ela oferece suporte apenas a módulos DDR3, com suporte a até 4 módulos de 2 GB em dual-channel.

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Asus P5K3 Deluxe, baseada no Intel P35

Apesar de ela incluir dois slots PCIe x16, apenas o primeiro (em azul) é um slot PCIe x16 real. O segundo slot é ligado à ponte sul, com apenas 4 linhas. Ela oferece também 2 slots PCIe 1x e três slots PCI. O slot usado para a conexão da placa wireless é também ligado a uma linha PCI Express, mas o formato e a posição são diferentes, para evitar que a placa wireless seja usada em conjunto com placas de outros fabricantes.

Embora o P35 não inclua interfaces IDE, a P5K3 inclui uma porta ATA-133, ligada a um controlador externo da JMicron. Este mesmo controlador inclui também duas interfaces eSATA disponíveis no painel traseiro. Elas são complementadas pelas 6 portas SATA 300 (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10) disponibilizadas pelo chip ICH9R, usado como ponte sul.

Esta é uma placa dual gigabit, que inclui duas interfaces de rede. A configuração é peculiar, pois as duas interfaces são providas por chipset separados (um Marvell 88E8056 e um Realtek RTL8187), onde o chip Marvell (responsável pela primeira interface) é ligado a uma linha PCI Express, enquanto o chip Realtek (responsável pela segunda) é ligado ao barramento PCI.

Ao contrário do que pode parecer, o chipset P35 não gera tanto calor assim quando operando à frequência normal, tanto que você encontra outras placas baseadas nele com exaustores muito mais modestos. O principal objetivo dos heat-pipes e dos dissipadores de cobre é permitir que a placa trabalhe estavelmente a frequências muito mais altas que as especificadas, atraindo a atenção do público interessado em overclocks mais extremos.

Devido à preocupação com o baixo consumo elétrico, os processadores Core 2 Duo suportam overclocks surpreendentes, de forma que mesmo placas de baixo custo incluem um conjunto relativamente completo de opções.

Na foto a seguir temos o setup de uma Gigabyte GA-P35-DS3R, configurada para trabalhar com FSB de 505 MHz (2020 MT/s de frequência efetiva, já que temos 4 transferências por ciclo). Apesar de ser uma placa baseada no P35, ela utiliza memórias DDR2, por isso o multiplicador da memória (System Memory Multiplier) está em 2.00, o que resulta em uma frequência de 1010 MHz:

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Como você pode notar, tanto a tensão do processador (CPU Voltage Control) quanto a tensão da memória (DDR2 OverVoltage Control) foram ajustados com valores muito mais altos que o normal. O processador está trabalhando com 1.425v, ao invés de 1.312v, e a memória está trabalhando a 2.4v (com o acréscimo dos 0.6v), ao invés de 1.8v, que seria o valor normal.

Com esta configuração, foi possível obter nada menos do que 3.535 GHz usando um Core 2 Extreme X6800:

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Utilizando um processador mais barato, como o Core 2 Duo E6300, que opera a 1.86 GHz, com bus de 266 MHz (1.066 GHz levando em conta as 4 transferências por ciclo) e multiplicador travado em 7x, seria possível obter facilmente 2.8 GHz, ajustando o FSB para 400 MHz e utilizando memórias DDR2-800 (mantendo o multiplicador da memória em 2.00).

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