As primeiras distribuições Linux

A primeira distribuição de que se tem notícia é um par de disquetes, chamados simplesmente de “Boot/Root”, que foram desenvolvidos no final de 1991 por HJ Lu (que até hoje participa do desenvolvimento do kernel). Eles incluíam apenas o mínimo necessário para inicializar o sistema e rodar algumas ferramentas básicas, em modo texto. Não era exatamente uma “distribuição Linux” no sentido atual, mas foi um ponto de partida.

O “Root/Boot” foi sucedido por distribuições como o MCC Interim Linux (lançado em fevereiro de 1992), o SLS Linux (maio de 1992) e o Yggdrasil (novembro de 1992). Cada uma delas segue uma idéia bastante diferente. O MCC era uma distribuição em modo texto, mas que oferecia um conjunto mais completo de aplicativos e compiladores. O SLS era distribuído na forma de um conjunto de arquivos .zip, que eram usados para gerar os disquetes de instalação, a partir do MS/DOS, enquanto o Yggdrasil foi uma espécie de antecessor dos live-CDs. Você dava boot através de um disquete e o sistema rodava a partir de um CD-ROM, com direito a ambiente gráfico e a opção de instalá-lo no HD usando um script em shell. O sistema era extremamente lento (os PCs da época usavam CD-ROMs 1x ou 2x e tinham apenas 4 ou 8 MB de memória), mas funcionava.

A distribuição mais antiga ainda ativa é o Slackware, lançado em julho de 1993. O Slackware é uma das distribuições mais espartanas, que tem como objetivo preservar a tradição dos sistemas Unix, provendo um sistema estável, organizado, mas com poucas ferramentas automatizadas, que te obriga a estudar e ir mais a fundo na estrutura do sistema para conseguir usar. Muita gente usa o Slackware como ferramenta de aprendizado, encarando os problemas e deficiências como um estímulo para aprender.

Temos aqui o famoso instalador em modo texto, que é usado por todas as versões do Slackware, que é basicamente o mesmo desde as primeiras versões do sistema, apenas com a inclusão ou remoção de algumas perguntas, de acordo com as mudanças nos componentes incluídos no sistema:

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Assim como quase todas as distribuições atuais, o Slackware começou como um “remaster” de uma distribuição anterior (o SLS Linux), incluindo diversas modificações e melhorias.

Esta é, justamente, a característica mais marcante do desenvolvimento do sistema. Novas distribuições raramente são criadas do zero; quase sempre é usada uma distribuição já existente como base, o que permite que os desenvolvedores se concentrem em adicionar novos recursos e corrigir problemas, aumentando radicalmente a velocidade de desenvolvimento de novos projetos.

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