Entendendo o sistema

O primeiro aparelho comercial baseado no Android foi o HTC G1, lançado em outubro de 2008, que foi baseado no Android 1.5 e posteriormente atualizado para o 1.6 (a mesma versão que é ainda usada em muitos tablets e em alguns smartphones recentes, como no caso do diminuto Sony X10 Mini). O G1 não foi um aparelho particularmente bem-recebido, já que era volumoso e o sistema de deslizamento do teclado era frágil e tendia a apresentar problemas com o uso, mas ele oferecia uma configuração bastante sólida para a época, com um processador Qualcomm MSM7201A (ARM11) de 528 MHz, tela HVGA (480×320) sensível ao toque, teclado QWERTY deslizante, câmera de 3.2 MP, Wi-Fi, Bluetooth, GPS e suporte a 3G com HSDPA:

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Embora oficialmente o G1 tenha ficado estacionado no Android 1.6, é possível atualizá-lo para o 2.1 (e em breve também para o 2.2) através do Cyanogen (http://www.cyanogenmod.com/), permitindo que ele continue prestando bons serviços.

O Android oferece suporte a várias resoluções de tela, o que permite que aparelhos com telas HVGA ou até mesmo QVGA (320×240) convivam com aparelhos maiores, com telas WVGA (800×480) ou até mesmo maiores que isso. Telas de alta resolução são uma grande melhoria com relação ao acesso web e visualização de e-mails e documentos, já que não apenas tornam o texto e gráficos muito mais legíveis, mas também permitem que uma pessoa com boa visão consiga ler diretamente a maioria das páginas, sem precisar dar zoom no texto:

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Para quem está acostumado a navegar em aparelhos com o S60, com suas telas QVGA, a diferença é realmente muito grande.

Embora a navegação possa ser perfeitamente feita unicamente através de toques sobre a tela (a partir do Android 2.2 está disponível inclusive o suporte a multitouch, com gestos para zoom e outras funções), quase todos os aparelhos oferecem também um trackpoint ou direcional, que permite rolar a página e navegar entre os links sem o risco de clicá-lo. Ele não é um recurso obrigatório, mas é bastante desejável. Em alguns modelos (como no HTC Desire), ele é substituído por um sensor óptico ou por um pequeno touchscreen, que oferecem mais precisão e permitem rolar páginas longas mais rapidamente:

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Embora existam modelos com teclados físicos, como no caso do Motorola Milestone (Droid), a grande maioria dos modelos sacrificam o teclado em favor de um design mais fino, como no caso do Samsung Galaxy S, que combina um processador ARM Cortex A8 de 1.0 GHz, câmera de 5 MP e tela AMOLED de 800×480 em um aparelho com apenas 9.9 mm de espessura, mais fino que um Nokia E71:

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Vendo a foto é fácil perceber por que os teclados físicos estão se tornando cada vez mais raros, já que com uma tela de 3.7″ ou mais não existe espaço para adicionar um teclado no painel frontal e o uso de um teclado deslizante adiciona geralmente pelo menos 4 mm na espessura do aparelho, além de encarecê-lo e torná-lo mais frágil mecanicamente.

Via de regra, todos os aparelhos com o Android devem oferecer tela touchscreen, câmera, Bluetooth e receptor GPS, já que estes são pré-requisitos para o uso dos aplicativos do Google e acesso ao Android Market. Combinados com o suporte a 3G e Wi-Fi, que são também padrão atualmente, temos configurações bastante poderosas.

A falta do teclado físico é parcialmente amenizada pela variedade de teclados via software que estão disponíveis, que incluem versões com suporte a multitouch (inaugurado pelo Droid X) e também versões “swipe”, onde você pode deslizar os dedos de uma tecla a outra, sem precisar tirá-los do teclado:

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Invariavelmente, os teclados virtuais resultam em mais erros de digitação, mas eles por outro lado oferecem melhores possibilidades de personalização (o teclado pode oferecer teclas “.com”, smiles, etc. de acordo com o aplicativo, que não são possíveis em um teclado físico) e parte dos erros podem ser corrigidos automaticamente com a ajuda do corretor ortográfico. Com a evolução dos métodos de entrada, já chegamos a um ponto em que muitos preferem usar os teclados virtuais a usar um teclado físico mediano, como o do Motorola Milestone, por exemplo.

O grande problema de aparelhos grandes com tela touchscreen é que é praticamente impossível usá-los com apenas uma mão, como é possível nos telefones com teclados numéricos e em modelos como o Nokia E71/E63 e os BlackBerry. Em outras palavras, eles são muito bons para navegar na web, ver fotos, assistir vídeos, rodar jogos, etc., mas são menos eficientes na aplicação básica: fazer e receber chamadas.

Isso tem levado ao surgimento de aparelhos que combinam telas QVGA ou HVGA touchscreen com um teclado e direcional, como no caso do Kogan Agora Smart, que oferece um design similar ao dos antigos Motorola Q:

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Este é um perfil de aparelho que vai agradar apenas a quem usa o aparelho predominantemente para a troca de mensagens, já que uma tela tão pequena elimina grande parte das vantagens da plataforma, mas pode ser que eventualmente este formato se torne comum entre modelos de médio e baixo custo, já que a tela menor reduz o custo de produção.

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