Hybrid CrossFire e Hybrid SLI

A opção de upgrade mais usada para quem tem uma placa-mãe com vídeo onboard e precisa de mais desempenho 3D é simplesmente comprar uma placa offboard. Os chipsets de vídeo onboard estão quase sempre na base da base da pirâmide (sobretudo no caso da série GMA da Intel), de forma que mesmo placas offboard de baixo desempenho, como as Radeon HD 4350 ou as GeForce 9500 GT, oferecem um desempenho bem superior.

Por outro lado, desativar o chipset de vídeo onboard, pelo qual você pagou alguns reais a mais ao comprar a placa-mãe, também soa como um desperdício, já que ele também oferece algumas unidades de processamento. Surgiram então o Hybrid CrossFire e o Hybrid SLI, que oferecem (em algumas configurações bem específicas) a possibilidade de combinar o processamento do chipset onboard e de uma placa offboard, transformando dois chipsets lentos em… bem, em um conjunto um pouco menos lento.

A versão inicial do Hybrid CrossFire foi incorporada ao chipset AMD 780G, lançado em 2008. Ele suportava o uso do chipset onboard em combinação com uma Radeon HD 2400, que era o modelo mais lento dentro da linha, baseada no mesmo chipset RV610 (40 stream processors) integrado ao chipset. Ao instalar a HD 2400 o Catalyst detectava a segunda GPU e ativava o Hybrid CrossFire automaticamente, usando o próprio barramento PCI Express para a comunicação entre as duas GPUs. O monitor podia ser conectado em qualquer uma das duas placas, bastava indicar qual das duas seria a placa primária.

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O grande problema era que o Hybrid CrossFire funcionava apenas com a HD 2400. Ao usar qualquer modelo mais rápido o sistema era automaticamente desativado, e apenas a placa offboard era usada.

Pode parecer uma limitação estúpida imposta pelo departamento de marketing da AMD, mas na verdade ela foi um movimento calculado. Devido ao overhead introduzido pelo CrossFire, tentar combinar o chipset onboard com uma placa offboard de maior desempenho resultava em um desempenho inferior ao da placa offboard sozinha. O uso do Hybrid CrossFire só fazia sentido em termos de desempenho na HD 2400 por isso ela acabou sendo a única placa suportada.

Mais tarde, os drivers foram atualizados, incluindo suporte também às Radeon HD 3450 e HD 3470. Embora fizessem parte da linha 3xx, elas eram baseadas no chipset RV620, que oferecia os mesmos 40 stream processors da HD 2400 e o mesmo barramento de 64 bits com a memória, oferecendo apenas frequências um pouco mais altas para a GPU e memória.

Na época do lançamento do chipset AMD 790GX, especulava-se que ele traria suporte a mais placas (acompanhando o melhor desempenho da GPU integrada), mas no final, a lista continuou incluindo apenas as três placas, sem alterações em relação ao 780G.

Com isso, a ideia acabou sendo enterrada, já que embora o conceito fosse interessante, o desempenho real era muito baixo. Em vez de gastar dinheiro em uma HD 3450 ou 3470, que oferecem um desempenho espantosamente baixo, faz muito mais sentido esquecer o Hybrid CrossFire e simplesmente comprar outra placa dedicada qualquer.

Embora as duas tecnologias tenham sido anunciadas com poucos meses de diferença, a nVidia foi um pouco mais ambiciosa ao desenvolver o Hybrid SLI, oferecendo-o também como uma opção para economizar energia.

Em resumo, o Hybrid SLI é composto de duas tecnologias: o GeForce Boost e o Hybrid Power. O GeForce Boost permite combinar o chipset onboard disponível nos chipset nForce 780a, nForce 750a e nForce 730a com uma GeForce 8400GS ou 8500GT, dividindo a carga entre as duas GPUs, de maneira muito similar ao que temos no Hybrid CrossFire.

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O HybridPower por sua vez é um sistema de economia de energia, destinado a quem usa uma placa high-end. Nele, os conectores de vídeo permanecem conectados à placa onboard e ela assume as tarefas básicas de exibição do desktop, permitindo que a placa offboard fique desligada na maior parte do tempo, sendo ativada apenas ao executar jogos ou outros aplicativos que demandem uma boa dose de processamento 3D. Nesse caso, a placa offboard arca com todo o processamento e transfere os frames renderizados para exibição na placa onboard.

A aplicação do GeForce Boost é muito limitada, já que o desempenho somado da GeForce 8200 ou 8300 integrada e da uma 8400GS ou 8500GT é inferior ao de uma GeForce 8600GT (que é o modelo seguinte dentro da linha) e muito inferior ao de qualquer outra placa mais atual.

O HybridPower, por outro lado, é uma solução bastante elegante para o problema do alto consumo das GPUs high-end atuais. Entretanto, ele acabou também não sendo muito usado devido à lista limitada de placas suportadas e deficiências por parte do driver.

Basicamente, o HybridPower no nForce 780a, 750a e 730a funciona apenas em conjunto com as GeForce 9800GTX e 9800GX2 e é necessário fazer o chaveamento entre a placa onboard e offboard manualmente, através do applet do Hybrid Power exibido ao lado do relógio, alternando entre as opções “Save Power” e “Boost Performance”. Para que o sistema funcione, é necessário também manter as opções “Hybrid Support” e “iGPU Frame Buffer Control” com o valor “Auto” no Setup e usar o valor “Onboard” na opção “Primary Display Adapter”.

Além de manual, o chaveamento pode ser feito apenas sem aplicativos 3D abertos e demora de 3 a 6 segundos, o que torna o processo bastante incômodo. Como se não bastasse, o uso do conector DVI single-link da placa-mãe limita as resoluções suportadas a um máximo de 1920×1200.

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O HybridPower acabou sendo abandonado nos chipsets para desktop com o lançamento das GeForce 2xx, que oferecem um consumo consideravelmente mais baixo em idle que as placas baseadas no G80, anulando grande parte dos possíveis ganhos. Apesar disso, ele continua sendo suportado pelos chipsets móveis (do GeForce G105M ao GeForce GTX 280M), onde o consumo elétrico é uma questão mais crítica.

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