Por que é necessário ativar o modo avião no seu celular durante um voo?

Antes de cada decolagem, a mesma cena se repete: a tripulação anuncia para desligarmos os eletrônicos ou ativarmos o modo avião. É uma ordem tão comum que muitos a encaram como uma um ritual. Mas você já se perguntou por que isso segue sendo uma regra necessária?

O que acontece com o telefone e o avião?

Quando você ativa o modo avião, seu aparelho vira uma “ilha digital”. Ele corta todas as conexões sem fio: o 5G, o 4G, o Wi-Fi e até o Bluetooth. Basicamente, ele para de tentar se comunicar com o mundo exterior. Isso transforma seu smartphone em um simples dispositivo para jogar offline, assistir a filmes baixados ou ouvir músicas salvas. A verdadeira razão por trás dessa regra não é um risco catastrófico, mas uma questão de comunicação vital na cabine.

Pilotos e controladores aéreos dependem de transmissões de rádio para trocar informações críticas, especialmente durante as fases mais sensíveis do voo, como decolagem e pouso. Imagine essa comunicação como uma linha telefônica super-especializada. Quando vários celulares estão ativos, eles emitem sinais que podem gerar um ruído irritante e persistente nos fones de ouvido dos pilotos. 

Um piloto, conhecido no Tik Tok como @perchpoint, viralizou ao explicar o problema:

“Ele tem o potencial de interferir com os fones de ouvido. Se você está em um avião com 70, 80, 150 pessoas a bordo e os telefones de três ou quatro passageiros começam a tentar se conectar a uma torre de rádio para receber uma chamada, ele envia ondas de rádio.”

Ele descreveu o som como um “mosquito no ouvido”, uma distração que pode ser crucial em um momento de alta tensão. A regra, então, serve para eliminar interferências e garantir que a tripulação possa ouvir e ser ouvida sem ruídos desnecessários.

Regulamentação brasileira: O que diz a ANAC?

No Brasil, as regras são claras e seguem as diretrizes da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Desde 2015, a agência autorizou as companhias aéreas a permitir o uso de dispositivos eletrônicos durante todas as fases do voo, contanto que permaneçam no modo avião. Isso significa que as funções de transmissão de rádio devem ser desativadas o tempo todo, tanto no solo quanto no ar.

As normas brasileiras, assim como as internacionais, proíbem qualquer tipo de ligação telefônica, seja pela rede de celular ou por aplicativos de voz. O objetivo é evitar o “risco cumulativo” de centenas de sinais de rádio emitidos simultaneamente, que ainda podem gerar interferência, especialmente em aeronaves mais antigas. Além disso, dispositivos maiores como notebooks devem ser guardados durante o pouso e a decolagem. A tripulação sempre faz um aviso para orientar o momento certo de usá-los.

Mesmo com os avanços tecnológicos, como aviões mais modernos com sistemas mais blindados, a maioria das regulamentações ao redor do mundo ainda se mantém rígida. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Código de Regulamentações Federais proíbe explicitamente o uso de celulares em voo. Violações podem levar a multas pesadas.

E o Wi-Fi?

E o que acontece com o Wi-Fi a bordo? As companhias aéreas oferecem o serviço justamente porque ele é projetado para ser usado em voo. O sistema de internet do avião usa uma tecnologia diferente e controlada, que se comunica com antenas terrestres ou satélites, sem interferir com os sistemas internos da aeronave. Por isso, a tripulação pede para você ativar o modo avião primeiro e, só depois, ligar o Wi-Fi se o serviço estiver disponível. É a melhor solução para unir a necessidade de conectividade com a segurança operacional.

 

Com o crescimento da demanda por internet em voos, algumas companhias já exploram a possibilidade de oferecer conectividade 5G em voo. A Comissão Europeia, inclusive, já aprovou o uso de 5G em aviões para o futuro. Mas, até que isso se torne uma realidade global, a lição é clara: a regra do modo avião ainda está longe de ser extinta.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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