Veja imagens da fábrica chinesa que produz telas do iPhone

Visitar uma linha de montagem da Apple é quase impossível para o público. Mas o engenheiro e criador de conteúdo Scotty Allen, do canal Strange Parts, conseguiu algo próximo disso: entrou em uma fábrica em Shenzhen que produz milhões de telas usadas em iPhones. A visita, registrada com uma câmera 360º, mostra em detalhes como o vidro e a camada sensível ao toque que compõem o smartphone mais vendido do mundo são fabricados.

Onde nasce a tela do iPhone

A jornada começa em salas limpas, onde poeira é inimiga mortal. Todos — de trabalhadores a visitantes — usam macacões especiais, máscaras e toucas. Ali, enormes chapas de vidro chegam à fábrica para serem cortadas em retângulos do tamanho exato da frente de um iPhone. Máquinas de alta precisão fazem até os cantos arredondados, antes de o material passar por polimento até ganhar acabamento suave ao toque.

O nível de escala impressiona: pilhas de dez peças avançam lado a lado por máquinas capazes de processar 4 mil unidades de uma vez. O vidro passa ainda por um banho químico a 200 °C por horas, que fortalece sua estrutura e reduz riscos de trincas.

Do preto característico ao toque premium

Depois da etapa de resistência, é hora da identidade visual. As peças são silkadas com detalhes técnicos, como marcações de alinhamento e camadas pretas que definem o contorno da tela do iPhone. Para dar a sensação “premium” e evitar marcas de dedo, o vidro recebe a mesma camada oleofóbica usada pela Apple. Só então cada unidade é selada em filme plástico protetor, antes de ser embalada.

O contraste econômico salta aos olhos: um vidro cru custa menos de 50 centavos de dólar na fábrica, mas a troca da tela completa em países ocidentais pode custar centenas de dólares.

A camada invisível: o touchscreen

A visita de Allen seguiu para outro setor da planta: o que fabrica a camada sensível ao toque. Nessa etapa, cabos flexíveis — que conectam a tela ao restante do aparelho — são testados um a um. A ligação desses cabos é feita com um adesivo especial chamado ACF (filme condutivo anisotrópico), que conduz eletricidade apenas na direção vertical. Isso garante precisão sem risco de curto-circuito entre as trilhas microscópicas. Só essa fábrica, segundo Allen, produz cerca de 150 mil módulos de touchscreen por mês. 

Após a colagem, UV e calor selam os componentes. As telas são testadas em bancadas que simulam um iPhone real e verificam sobretudo as “zonas críticas” nos cantos, onde falhas são mais comuns. Cada unidade inspecionada segue então para a união com o vidro de proteção, em uma sala estéril controlada com sistemas de ionização e umidade. Só depois do número de lote ser gravado a laser é que os displays estão prontos para entrar no mercado paralelo de peças.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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