Boom dos data centers faz gastos com construção baterem recorde de US$ 85 bilhões

Boom dos data centers faz gastos com construção baterem recorde de US$ 85 bilhões

Os gastos privados com construção de data centers nos Estados Unidos atingiram um ritmo anual de US$ 84,95 bilhões em agosto, alta de 73% em relação aos US$ 49,05 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Os dados são do Census Bureau, a agência federal americana de estatísticas, e pintam um quadro que vai muito além de uma simples expansão de capacidade, pois a infraestrutura de silício virou, na prática, o motor de sustentação da construção civil não residencial privada nos EUA.

Um setor que engole os outros

O número em si já é expressivo, mas o contexto é ainda mais revelador. Os data centers agora respondem por cerca de 63% de toda a construção privada de escritórios, ante 47% um ano antes. A distância para o segmento de escritórios convencionais chegou ao maior nível desde que o Census começou a registrar essa série, em janeiro de 2014: uma lacuna de US$ 39,1 bilhões.

Para comparar, os escritórios tradicionais operam a um ritmo anual de US$ 45,8 bilhões, queda de 9,7% no ano e de 34,8% desde janeiro de 2023. Data centers superaram escritórios convencionais em todos os meses desde setembro de 2025.

A escala do crescimento fica ainda mais clara quando se observa a série histórica, pois o ritmo atual representa mais de nove vezes o nível de janeiro de 2021, quando o setor operava a US$ 9,26 bilhões anuais. A aceleração é constante e crescente: maio registrou alta de 36,3% no acumulado anual, junho fechou em 55,2%, julho em 65,3% e agosto em 73%. São quatro meses consecutivos de aceleração.

74% do crescimento vem de um único segmento

A construção privada não residencial como um todo ficou em US$ 773 bilhões em ritmo anual, queda de 1,0% na comparação anual. Retire os data centers da equação e esse número cai para US$ 688,1 bilhões, com retração de 5,9%. Dos US$ 8 bilhões de crescimento mensal registrado no segmento não residencial, US$ 5,9 bilhões (ou 74%) vieram exclusivamente de data centers. O setor de manufatura, para efeito de dimensão, acumula queda de 19,8% no ano.

O único outro segmento em crescimento relevante é o de geração e transmissão de energia, com alta de 9,7%, o que não é coincidência, pois a demanda elétrica dos próprios data centers está puxando o investimento em infraestrutura de energia. Anirban Basu, economista-chefe da Associated Builders and Contractors, foi direto em declaração de 1º de setembro: o crescimento não residencial de julho foi “inteiramente devido a data centers”, e o avanço em energia foi impulsionado pelas necessidades elétricas dessas instalações.

O que o Census não conta

Há um detalhe metodológico importante que o relatório deixa explícito: os números do Census Bureau excluem qualquer valor referente a racks e servidores instalados nos data centers. A agência registra apenas o custo da construção civil, não do hardware que vai dentro.

Isso significa que os US$ 84,95 bilhões são só a ponta do iceberg: o gasto real com a infraestrutura completa de processamento e armazenamento é substancialmente maior, e também está crescendo, impulsionado pelos custos de hardware para IA. Os próximos dados, referentes a setembro, têm divulgação prevista para 2 de novembro.

Em 2026, o que esses números revelam não é apenas um ciclo de investimento: é uma reconfiguração estrutural de onde o capital privado nos EUA entende que o valor será gerado nas próximas décadas. A construção civil tradicional encolhe; a que sustenta processamento de dados, cresce a taxas que o setor não via nem nos picos do cloud computing.

Fonte: Tom’s Hardware

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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