A Microsoft acaba de prorrogar por mais um ano o programa gratuito de Windows 10 ESU (Extended Security Updates), movendo a data-limite para o recebimento de patches críticos de segurança de 12 de outubro de 2026 para 14 de outubro de 2027. A mudança apareceu silenciosamente como uma edição na página de suporte do programa, e os dispositivos já cadastrados foram migrados automaticamente para a nova data, sem qualquer ação necessária do usuário.
Consultada pelo BleepingComputer, a Microsoft afirmou que a alteração reflete “o compromisso contínuo de ajudar os clientes a permanecerem seguros durante a transição”, acrescentando que o ano adicional oferece “mais tempo e flexibilidade para encontrar o melhor PC para suas necessidades enquanto os mantém protegidos”. Na prática, a empresa está concedendo uma segunda janela gratuita a quem não fez, não pode ou não quer fazer a migração para o Windows 11.
Como se cadastrar, e quem pode
As formas de inscrição no programa não mudaram. O usuário pode se cadastrar gratuitamente sincronizando as configurações do PC com uma conta Microsoft via Windows Backup, resgatando 1.000 pontos do Microsoft Rewards ou realizando um pagamento único de US$ 30. Usuários na Europa têm direito ao cadastro gratuito apenas com o login na conta Microsoft, uma concessão que a empresa já havia feito após pressão de grupos de defesa do consumidor no continente. Uma única licença ESU cobre até 10 dispositivos vinculados à mesma conta.
Há, no entanto, uma linha divisória importante: máquinas associadas a um domínio Active Directory, ao Microsoft Entra ou gerenciadas por Mobile Device Management são consideradas ativos corporativos e, portanto, ficam de fora do programa gratuito voltado ao consumidor. A exceção fica para dispositivos pessoais que apenas têm uma conta de trabalho registrada neles, sem que a máquina em si seja propriedade da organização: esses ainda se qualificam.
400 milhões de PCs encostados entre a pedra e a parede
O Windows 11 já chegou a aproximadamente 73% dos computadores, com o Windows 10 respondendo por cerca de 26% restantes. O grosso da migração aconteceu, mas o resíduo que ficou para trás não é desprezível, são cerca de 400 milhões de PCs ativos que não atendem aos requisitos mínimos do Windows 11: TPM 2.0, Secure Boot e processadores suportados.
Para esse contingente, a equação está ficando cada vez mais complicada. Comprar hardware novo nunca foi tão caro: os preços de contrato de DRAM praticamente dobraram desde o início do ano passado, com Samsung, SK Hynix e Micron desviando capacidade de wafer para a produção de memória de alta largura de banda (HBM) destinada a aceleradores de IA. A projeção é de que os preços dobrem novamente. A IDC estima que PCs, tablets e smartphones devem encarecer entre 10% e 20% até o final de 2026, com a memória representando uma fatia muito maior do custo de montagem de um sistema do que representava dois anos atrás.
O mercado paralelo de sobrevivência no Windows 10
Para quem não quer ou não pode migrar nem pelo caminho oficial nem pelo caminho do novo hardware, alternativas de terceiros continuam existindo. A firma de segurança 0patch comprometeu-se a fornecer micropatches não oficiais para o Windows 10 até 2030, operando à margem do ecossistema Microsoft mas com um histórico respeitável na comunidade de segurança. Paralelamente, iniciativas como a End of 10 continuam tentando convencer os resistentes a considerarem a migração para Linux, uma saída tecnicamente viável para boa parte das máquinas que ficaram para trás.
Fonte: Tom’s Hardware
Você também pode gostar dos artigos abaixo:
Robô humanoide Codey quer educar crianças e cuidar de idosos, mas dá para confiar?
