Três anos depois de Elon Musk trocar o nome Twitter por X, uma startup decidiu recuperar não apenas o pássaro azul, mas o próprio nome da rede social. A Operation Bluebird colocou no ar o Twitter.now, uma plataforma que reproduz elementos familiares do antigo Twitter enquanto trava uma disputa judicial com a X Corp. pelo direito de usar a marca.
A aposta é incomum porque a rede não está esperando o processo terminar. O Twitter.now já funciona em acesso antecipado, tem centenas de usuários e cobra US$ 20 para quem quiser entrar como “Founder”. A Operation Bluebird afirma ter investidores e diz que aguardou meses antes de decidir colocar o serviço no ar.
Startup diz que X abandonou a marca Twitter
A estratégia da Operation Bluebird depende de uma questão jurídica: abandonar comercialmente uma marca significa também perder os direitos sobre ela?
A startup argumenta que sim. Segundo a empresa, a transformação do Twitter em X a partir de 2023 representou um abandono das marcas Twitter e Tweet. A companhia chegou a pedir ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO) o cancelamento de registros pertencentes à X Corp.
Do outro lado, a empresa de Elon Musk afirma que o Twitter continua vivo como marca e que seus direitos nunca foram abandonados.
Em dezembro de 2025, a X Corp. processou a Operation Bluebird. Nos documentos apresentados à Justiça, a companhia acusa a startup de tentar se apropriar deliberadamente do valor construído pelo antigo Twitter e aponta o uso do nome, do pássaro azul e até de elementos visuais semelhantes aos da plataforma original.
Um detalhe ajuda a explicar por que a X não pretende entregar o nome facilmente: twitter.com continua redirecionando os visitantes para X.com. A empresa afirmou no processo que mais de 4 milhões de pessoas acessaram seu serviço pelo antigo domínio somente em 11 de dezembro de 2025, argumento usado para demonstrar que a marca continua tendo uso e reconhecimento.
O novo Twitter tenta recuperar mais que o nome
O Twitter.now também recupera características familiares da antiga rede social, incluindo respostas e retuítes. A Operation Bluebird diz, porém, que não pretende simplesmente reconstruir a plataforma anterior.
Entre as propostas está um sistema chamado Vera, baseado no Gemini, que está sendo testado para analisar a veracidade de publicações. A filosofia apresentada pela empresa é permitir liberdade de publicação sem necessariamente ampliar o alcance de conteúdo considerado prejudicial ou incorreto.
A própria Operation Bluebird deixa explícito em sua política de privacidade que não possui relação com X.com ou X Corp.
Isso não encerra a discussão sobre a marca. O processo federal continua aberto, e ainda não há decisão definitiva garantindo que a startup poderá continuar chamando sua plataforma de Twitter.
É justamente aí que está a maior aposta do Twitter.now: seus primeiros usuários podem começar a construir perfis, seguidores e comunidades em uma rede cujo próprio nome ainda depende de uma batalha judicial.
A Operation Bluebird pode ter colocado o pássaro azul novamente no ar. Agora terá que convencer a Justiça de que Elon Musk realmente o deixou para trás.
