The Conjuring: Unspoken é o novo jogo de terror interativo da Netflix, baseado na popular franquia de terror Invocação do Mal, anunciado para estreia exclusiva no serviço no dia 13 de outubro. A mecânica central é simples na proposta: o celular do assinante vira o controle, enquanto a tela grande exibe o ambiente virtual. O resultado é uma experiência de investigação paranormal que a plataforma quer que você jogue do sofá, no estilo de noite de terror com o grupo.
Caça-fantasmas com o celular
No jogo, o jogador assume o papel de Francesca Noakes, uma demonologista enviada ao histórico Red Lion Inn, uma hospedaria na Inglaterra com reputação de assombrada. A estrutura é narrativa: as escolhas de diálogo moldam o desenvolvimento da história, e o celular funciona como interface para três ferramentas de investigação: um leitor de campo eletromagnético, uma câmera infravermelha e uma caixa espiritual. A câmera de infravermelho, por exemplo, sobrepõe uma camada térmica ao ambiente exibido na TV, permitindo identificar pontos frios associados a presenças sobrenaturais.
A Netflix recomenda que o jogador tenha assistido aos filmes da franquia Invocação do Mal antes de entrar. A plataforma menciona que “alguns rostos familiares aparecem no jogo” e que conhecer o universo da série amplia o impacto da experiência, sem especificar quais personagens retornam.
Sinopse do jogo
The Conjuring: Unspoken é uma investigação paranormal interativa que você pode jogar do conforto do seu sofá. A experiência é focada na narrativa, permitindo que você molde a história ao escolher diferentes opções de diálogo durante o jogo. Usando seu celular, você explora a histórica Red Lion Inn, um local supostamente assombrado na Inglaterra, em busca de pistas sobre fenômenos sobrenaturais.
No papel da demonologista Francesca Noakes, você examina os arredores com um detector de campos eletromagnéticos, uma câmera infravermelha e uma caixa espiritual — ferramentas típicas de caçadores de fantasmas para encontrar aparições. A tela grande exibe o ambiente virtual, enquanto a tela do celular funciona como controle para esses equipamentos. A câmera infravermelha, por exemplo, permite visualizar uma sobreposição térmica do ambiente enquanto você procura por pontos frios que possam indicar a presença de algo sobrenatural.
Supermassive está no comando
O desenvolvimento ficou a cargo da Supermassive Games, estúdio britânico com histórico consolidado em horror narrativo: Until Dawn e The Quarry são as referências mais imediatas do portfólio. O que torna o contexto do lançamento mais sombrio é a situação interna do estúdio: em agosto, a Supermassive anunciou planos de demitir até 75 funcionários. O ex-diretor de TI e infraestrutura do estúdio confirmou, em publicação no LinkedIn, que “mais de 70” pessoas estariam de saída.
O lançamento de The Conjuring: Unspoken ocorre, portanto, em um estúdio operando com capacidade reduzida e em transição.
O padrão que a Netflix está construindo
Este não é o primeiro jogo de horror interativo que a Netflix lança em 2026. Em junho, a plataforma estreou Unhinged, desenvolvido pelo Night School Studio, o estúdio por trás de Oxenfree. Meses depois, em agosto, a Netflix encerrou o Night School, junto ao estúdio Moonloot Games. O padrão começa a se desenhar: a plataforma quer experiências interativas ligadas a propriedades intelectuais reconhecidas, com a mecânica de segunda tela como diferencial de acesso, mas o modelo de negócio para os estúdios parceiros ainda é instável o suficiente para destruir times inteiros após a entrega.
Para o assinante interessados, a experiência pode ser interessante para se ficar de olho. O problema é que a Netflix, ao mesmo tempo em que expande sua aposta em games interativos, segue deixando um rastro de estúdios fechados e equipes reduzidas. O desafio da plataforma em 2026 não é convencer o público de que jogos com celular como controle são divertidos, é provar que consegue sustentar um ecossistema de desenvolvimento criativo sem transformar cada lançamento no último produto de um time que está prestes a ser desmontado.
Netflix prevê fim dos consoles
A Netflix pretende concentrar seus esforços no mercado de games em experiências de cloud gaming voltadas para televisores e controles pelo celular, como The Conjuring: Unspoken, em vez de investir no desenvolvimento de grandes produções próprias. O co-CEO Ted Sarandos afirmou que os jogos em nuvem representam uma oportunidade promissora e destacou o potencial de um futuro “pós-console”, no qual os assinantes poderão jogar diretamente na TV, sem precisar de um hardware dedicado. A estratégia também envolve explorar franquias da própria plataforma para ampliar o valor de suas propriedades intelectuais.
A mudança de direção acontece após uma série de dificuldades na divisão de games da empresa, incluindo o encerramento de estúdios e o recuo nos investimentos em desenvolvimento de jogos. Questionado sobre a possibilidade de adquirir grandes publicadoras, como a Take-Two, Sarandos demonstrou preferência pelo crescimento orgânico. Nesse cenário, o cloud gaming funcionaria como uma extensão do serviço de streaming, aproveitando a base de assinantes existente para alcançar um público que não necessariamente possui um console.
Fonte: The Verge