A Steam Machine chega ao mercado com um preço que vai fazer muita gente engolir em seco: US$ 1.049 na versão de 512GB e US$ 1.349 na configuração de 2TB, ambos sem o controle incluso. A Valve confirmou os valores e, em entrevista ao canal Gamers Nexus, seus engenheiros expuseram com uma franqueza incomum o que está por trás desses números: uma crise de memória que não dá margem para negociação e um mercado de componentes onde os grandes fabricantes simplesmente ditam as regras.
Sem contrato, sem conversa: a brutalidade do mercado de RAM em 2026
O engenheiro da Valve Pierre-Loup Griffais foi direto ao ponto quando o Gamers Nexus perguntou se a empresa havia conseguido fechar contratos com fornecedores de memória. “Olha, não existem contratos. Não existe nada. Esses caras nos dão um preço todo mês e dizem: ‘vocês podem comprar tantas unidades’, e é sim ou não. E se a gente diz não, eles nunca mais falam com a gente.” A declaração resume um cenário que vai muito além do produto da Valve: a memória RAM segue em escassez crítica, concentrada nas mãos de poucos fornecedores como Samsung, Micron e SK Hynix, e a projeção é de que a situação não melhore tão cedo.
A consequência prática para quem comprar uma Steam Machine é que o dispositivo pode chegar com configurações distintas de memória dependendo do que a Valve conseguir garantir no momento da produção: um único módulo de 16GB ou dois módulos de 8GB. O próprio Griffais admitiu que a quantidade de pentes dentro da máquina vai depender “do estoque que conseguirmos assegurar”. O Gamers Nexus apontou que o modo dual channel entrega desempenho objetivamente superior ao single channel, mas Yazan Aldehayyat, também engenheiro da Valve, afirmou que nos testes internos a diferença entre um e dois pentes não gerou “nenhuma diferença mensurável” durante o uso em jogos.
O preço que poderia ter sido
A Valve não divulgou o valor original planejado para a Steam Machine antes da crise de componentes, mas deixou uma pista: os aumentos recentes aplicados ao Steam Deck OLED podem servir de referência. A linha OLED teve alta de US$ 240 na versão de 512GB e de US$ 300 na de 1TB. Em entrevista ao Aftermath, a própria Valve indicou que esses reajustes “dão uma estimativa aproximada de quanto o preço-alvo da Steam Machine se deslocou”. Subtraindo esses valores dos preços atuais, os preços teóricos originais seriam algo em torno de US$ 809 para o modelo de 512GB e US$ 1.049 para o de 2TB. Ainda salgado, mas com outra pegada.
A Valve também já deixou claro que não está subsidiando o hardware, ao contrário do que ocorre com consoles tradicionais como PlayStation e Xbox, onde o fabricante tipicamente absorve parte do custo para ganhar na venda de jogos e serviços. A empresa optou por repassar o custo real ao consumidor, o que torna o produto menos palatável no lançamento, mas potencialmente mais sustentável no longo prazo para os cofres da empresa.
Um problema que vai além da Valve
A crise de RAM não é exclusividade da Valve. A Lenovo revisou os preços da linha Legion Go S, a Microsoft aumentou os valores dos produtos Surface, e o CEO da Apple, Tim Cook, alertou publicamente para reajustes vindouros em iPhones, Macs e outros dispositivos. Isso mostra que o mercado de hardware premium está sendo esticado por uma combinação de escassez estrutural de memória e demanda aquecida puxada pelo apetite da indústria de inteligência artificial por DRAM de alta performance.
E as coisas não parecem ter um bom horizonte pela frente. A escassez não tem prazo definido de resolução, e quem depende de Samsung, Micron ou SK Hynix para montar um produto está, literalmente, sujeito a uma lista de preços que chega sem aviso e sai sem negociação. Para quem esperava que a Steam Machine fosse o console PC acessível que o mercado nunca teve, o cenário atual é uma resposta fria e direta: o componente mais simples da equação está fora do controle de todos.
Fonte: The Verge
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 23/06/2026 10:35