Crise da RAM: Samsung, SK Hynix e Micron se unem para auditar estoques e manter preços estáveis no curto prazo

As três maiores fabricantes de memória do mundo — Samsung, SK Hynix e Micron — formaram uma frente unida para combater a especulação de preços. Segundo o Nikkei Asia, as gigantes iniciaram uma auditoria rigorosa sobre seus próprios clientes, exigindo transparência total sobre o destino dos chips comprados. O objetivo é simples, mas agressivo: impedir que distribuidores e fabricantes de PC acumulem estoques excessivos (o famoso “colchão de segurança”) fazendo pedidos duplicados.

O Trauma de 2022

A medida é uma resposta direta ao “trauma” do pós-pandemia. Em 2021, clientes desesperados triplicaram pedidos de memória. Quando a demanda esfriou em 2022, esses pedidos foram cancelados, os armazéns ficaram lotados e o preço da memória despencou, gerando prejuízos bilionários para a Samsung e suas rivais. Desta vez, com a demanda voltando a subir em 2025/2026, elas querem garantir que cada wafer de silício vendido tenha um destino real, evitando uma bolha artificial.

O Fator IA e o Impacto no Bolso

Além do medo do passado, há a pressão do presente. As linhas de produção estão ocupadas fabricando memórias HBM (para IA da NVIDIA/AMD), que são complexas e caras. Isso deixa menos espaço para fabricar a memória RAM comum (DDR4/DDR5) e Flash (SSDs). Ao controlar o estoque, as fabricantes evitam desperdiçar capacidade produtiva com pedidos especulativos.

Para o consumidor a notícia tem um gosto amargo. Ao bloquear o excesso de oferta, as fabricantes forçam os preços a se manterem estáveis (e altos) no curto prazo. Nesse primeiro momento, os chips devem continuar com preços elevados, já que a “guerra de preços” predatória foi cancelada pelas próprias fornecedoras em nome da estabilidade a longo prazo.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br