Um Redmi Note 8 quebrado, sem tela e com os botões de energia danificados ganhou uma função bem diferente daquela para a qual saiu da fábrica. Em vez de descartar o aparelho, um usuário o transformou em um pequeno servidor P2P, conectado a um HD externo e capaz de permanecer compartilhando arquivos pela rede.
A montagem foi publicada pelo usuário dadnothere no subreddit r/torrents. Segundo ele, o celular consome apenas 0,7 W quando não está carregando, valor que afirma ter medido com um medidor de indução. A foto ajuda a entender por que o projeto despertou curiosidade. O Redmi Note 8 aparece aberto e sem o conjunto da tela, conectado por USB OTG, ao lado de um HD de 2,5 polegadas e de um hub USB. Questionado sobre o que exatamente havia construído, o autor descreveu o conjunto como um Redmi Note 8 com adaptador OTG para alimentação e um disco externo conectado por hub.
O Redmi Note 8 roda Transmission e aMule pelo Termux
O projeto usado no celular está disponível publicamente como aMuTorrent, no repositório aMuleD.bin. Ele roda sobre o Termux e combina o Transmission para BitTorrent com o aMule para as redes KAD e eD2K. O diretório de downloads do telefone também funciona como pasta monitorada: arquivos adicionados ali podem entrar automaticamente no compartilhamento.
Depois da instalação, o servidor pode ser administrado pelo navegador. A interface funciona localmente na porta 4000 e também pode ser aberta por outro computador ou celular usando o endereço IP do smartphone na rede local. O repositório ainda prevê integração com serviços como Radarr, Sonarr e Prowlarr, embora existam restrições dependendo da versão do Termux utilizada.
A proposta não está restrita ao Redmi Note 8. Segundo a documentação do projeto, celulares a partir do Android 5 podem ser reaproveitados. Em versões mais recentes do Android, entretanto, há obstáculos adicionais: a partir do Android 12, as restrições de execução em segundo plano podem exigir configurações extras para impedir que o sistema encerre o Termux.
No aparelho mostrado pelo autor, ele afirma estar usando uma ROM InfinityOS baseada no Android 16.
HD externo é opcional, e também cria uma das limitações do projeto
Apesar de o HD ser um dos elementos que mais aparecem na fotografia, ele não é necessário para transformar o smartphone em servidor.
O armazenamento interno do próprio celular pode ser usado. O projeto também prevê microSD, HDD conectado por USB OTG, SFTP e NFS, este último exigindo root. O disco mecânico introduz uma complicação importante para uma máquina destinada a permanecer ligada por longos períodos.
A documentação alerta que, dependendo da ROM instalada no smartphone, o Android pode não colocar automaticamente um HDD conectado por OTG em modo de repouso quando ele deixa de ser utilizado. Nesses casos, configurar esse comportamento pode exigir acesso root. O próprio autor levantou essa preocupação na discussão. Segundo ele, o HDD de 2,5 polegadas mostrado na fotografia não é a opção ideal para permanecer continuamente ligado e tende a se degradar mais rapidamente nessa condição. Como alternativa mais simples, ele sugeriu armazenamento interno ou microSD.
Bateria fica limitada a 70% para o celular permanecer conectado
Transformar um smartphone em servidor cria outro problema, ele deixa de funcionar como dispositivo móvel e passa potencialmente meses conectado à energia. No caso do Redmi Note 8, o autor configurou um limite de carga de 70%. A documentação do projeto recomenda esse limite ou um valor inferior e mostra, especificamente no aparelho utilizado, a bateria estabilizada em aproximadamente 4 V quando a carga máxima está configurada dessa forma. O autor chegou a experimentar alimentar o aparelho diretamente sem bateria. O telefone ligava, mas não funcionava de maneira consistente. A ideia, portanto, permanece como uma possibilidade futura caso a bateria instalada deixe de funcionar.
O celular já estava quebrado antes de virar servidor
Talvez o detalhe mais interessante do projeto seja que nenhum Redmi Note 8 funcional precisou ser sacrificado para construí-lo.
O aparelho já estava danificado. O telefone estava sem tela e que até os botões de energia estavam quebrados. A transformação em servidor surgiu justamente como uma maneira de continuar aproveitando um hardware que já havia perdido grande parte de sua utilidade como smartphone convencional.
Quando outro usuário no post sugeriu que a montagem poderia ser melhor que usar um Raspberry Pi, o próprio autor fez uma ressalva: se a pessoa já possui o celular, a ideia faz sentido; comprar outro aparelho especificamente para fazer isso pode não compensar. O objetivo é principalmente reaproveitar equipamentos que já existem.
Você também deve ler!
Esta postagem foi modificada pela última vez em 08/08/2026 23:03