Brasileiro usa Raspberry Pi como servidor para app, NAS e central de câmeras

Um Raspberry Pi apoiado sobre uma mesa virou peça central de uma infraestrutura que, segundo seu proprietário, atende um aplicativo com quase 2 mil usuários e recebe entre 40 mil e 50 mil requisições por dia. A mesma máquina ainda funciona como NAS e participa do sistema de câmeras da casa.

O relato foi publicado pelo desenvolvedor Marcos Costa no Threads. Ele diz que a estrutura funciona há alguns meses e que, embora já considere trocar de hardware, continua operando sem uma queda generalizada registrada até agora.

 

 

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O número de 50 mil requisições parece enorme isoladamente, mas precisa de contexto. Em resposta a outro usuário, Costa informou que o pico fica em aproximadamente 6 requisições por segundo. Também há cache tanto na aplicação quanto na Cloudflare, reduzindo a quantidade de trabalho que necessariamente chega ao pequeno servidor.

Raspberry Pi também funciona como NAS e central de câmeras

O projeto começou como um NAS. Segundo Costa, o Raspberry Pi gerencia dois HDs de 8 TB, um SSD de 512 GB e um cartão microSD de 512 GB por meio do OpenMediaVault.

Depois, o desenvolvedor percebeu que havia memória e processamento ociosos e passou a hospedar também os serviços do aplicativo. Os containers são administrados via Docker Compose, enquanto o Traefik encaminha requisições para diferentes interfaces de rede.

A máquina ainda participa do sistema doméstico de vigilância. Costa afirma usar Frigate para analisar as câmeras com auxílio de um Google Coral TPU, deixando o acelerador dedicado responsável pela detecção de objetos. Essa combinação é suportada oficialmente pelo Frigate, que recomenda aceleradores como o Coral para retirar esse trabalho pesado da CPU.

Um celular Android completa a montagem, processando arquivos de fotos e vídeos e realizando o envio deles para a nuvem.

Cloudflare reduz parte da carga e evita expor o servidor diretamente

O acesso externo passa pelo Cloudflare Tunnel. O serviço cria uma conexão iniciada pela própria máquina até a infraestrutura da Cloudflare, dispensando IP público e portas de entrada abertas no servidor. O tráfego pode ainda passar por recursos de cache e proteção antes de alcançar a origem.

Costa também menciona rate limiting e filtros contra bots, além de uma camada adicional com CrowdSec.

Isso ajuda a explicar por que as dezenas de milhares de requisições diárias não podem ser interpretadas diretamente como capacidade bruta do Raspberry Pi: parte delas pode ser respondida ou bloqueada antes de atingir o servidor.

“Brincando com a sorte”

A montagem está longe de ser apresentada como infraestrutura ideal para qualquer negócio. Questionado sobre migrar para uma VPS, Costa respondeu que já está na hora de trocar o hardware e resumiu a situação dizendo que continua “brincando com a sorte”.

Ele também afirmou que não colocaria dados mais sensíveis, como informações financeiras ou de funcionários, em uma estrutura semelhante sem adicionar novas camadas de segurança, redundância e backup.

O caso funciona melhor, portanto, não como prova de que um Raspberry Pi pode substituir servidores profissionais, mas como demonstração de quanto é possível extrair de hardware doméstico quando a carga é relativamente pequena, parte do tráfego é filtrada na borda e diferentes tarefas são distribuídas entre dispositivos.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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