O mercado travou: Alta absurda do preço da RAM derruba as vendas de placas-mãe

Fabricantes de placas-mãe na Ásia têm registrado quedas acentuadas nas vendas, em alguns casos entre 40% e 50% na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo acontece justamente na temporada de fim de ano, quando o normal seria ver aumento de demanda por upgrades e PCs novos, impulsionados por promoções sazonais.​

Com a mudança de cenário, empresas do setor já revisam metas e, em alguns casos, avaliam cortes de custos e demissões para lidar com o volume menor de placas escoando para o varejo. A retração não afeta apenas modelos de entrada: plataformas intermediárias e avançadas também sentem o impacto da cautela do consumidor.

Preço da RAM vira freio para upgrades

No centro desse movimento está a disparada no custo da memória RAM, hoje um dos principais freios para quem pensa em trocar de plataforma. Kits DDR5 passaram a ser vendidos por valores de duas a quatro vezes maiores do que os praticados no final de 2024 em alguns mercados, tornando upgrades completos financeiramente menos atraentes. Diante do aumento, muitos usuários optam por adiar a compra de placa-mãe e processador, ou tentar reaproveitar plataformas antigas por mais tempo

Relatórios de consultorias apontam que os contratos de DRAM em 2025 acumulam alta próxima de 170% em relação ao ano anterior, com projeções de novas elevações entre 18% e 23% por trimestre em determinados cenários ao longo de 2025 e 2026. A prioridade dada pelas fabricantes a data centers e servidores de inteligência artificial reduz a oferta de memória para PCs, notebooks e smartphones, pressionando preços em toda a cadeia

Efeito dominó: menos placas-mãe, menos CPUs vendidas

A queda nas vendas de placas-mãe gera um efeito dominó imediato em outros componentes. Sem troca de plataforma, a renovação de processadores também desacelera, afetando o volume de CPUs embarcadas pelos grandes fabricantes para o varejo e integradores. A expectativa é que as remessas de processadores no último trimestre de 2025 fiquem abaixo das registradas entre outubro e dezembro de 2024, quadro que só será confirmado com a divulgação dos resultados no início de 2026

Esse recuo ocorre em um momento em que o mercado de PCs já vinha de um ciclo de desaceleração, após o pico de vendas visto durante o período de trabalho e estudo remoto. A alta da RAM, somada à cautela econômica dos consumidores, intensifica a dificuldade de reação do setor.

Micro Center adota preço dinâmico para RAM nos EUA

Nos Estados Unidos, os efeitos da alta global da DRAM já aparecem na ponta do varejo com práticas pouco comuns para o segmento de hardware de consumo. A rede americana Micro Center deixou de exibir etiquetas de preço em módulos de memória RAM em algumas lojas e passou a informar os valores apenas no balcão, alegando forte volatilidade do mercado. Na prática, isso significa que o preço pode mudar com alta frequência, acompanhando de perto as variações impostas por distribuidores e fabricantes.

Relatos de clientes em fóruns online mostram prateleiras com módulos DDR4 e DDR5 expostos sem qualquer valor visível, acompanhados apenas de avisos orientando o consumidor a perguntar o preço ao atendente no momento da compra. A experiência remete mais à negociação de commodities, como ouro, do que ao varejo tradicional de eletrônicos, em que o consumidor está acostumado a comparar etiquetas antes de tomar uma decisão.

Sem solução no curto prazo

Os relatórios de mercado indicam que a pressão de custos não deve arrefecer no curto prazo. As projeções apontam para contratos de DRAM em trajetória de alta até 2026, com sucessivos reajustes trimestrais possíveis em diferentes segmentos. Como a memória representa entre 10% e 20% do custo de produção de um notebook ou desktop, esses aumentos podem elevar o preço final dos equipamentos em cerca de 5% a 15%, dependendo da faixa de produto.

Para preservar margens e manter preços competitivos, fabricantes de PCs tendem a reduzir a quantidade de RAM padrão em modelos de entrada e intermediários, ou segurar especificações para não repassar toda a alta ao consumidor. O resultado é um mercado em que o usuário paga mais caro por máquinas com menos memória do que há um ou dois anos, e encontra menos espaço para upgrades baratos no futuro próximo.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 01/12/2025 13:35

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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