Qubes 1.0: distro Linux segura, que roda aplicativos em máquinas virtuais

Depois de cerca de três anos em desenvolvimento, foi lançado o Qubes 1.0. Esta é uma distribuição Linux bem diferente das conhecidas: ela trabalha com o isolamento dos aplicativos do usuário final. O projeto é open source, baseado no Xen, X Window System e Linux, e pode rodar quase todos os aplicativos e drivers para Linux.

O sistema trabalha com domínios de segurança, grupos chamados de “domínios” compostos por máquinas virtuais leves, as “AppVMs”. Em vez de rodar cada aplicativo numa máquina virtual, o que consumiria muitos recursos, o Qubes lida com algumas poucas máquinas virtuais de uso específico: algo como trabalho, pessoal, compras, internet banking e navegação aleatória na web (menos segura).

Danos causados por programas maliciosos ficam restritos ao domínio no qual o aplicativo estava sendo executado. A base do sistema é oferecida a todos os domínios em modo somente leitura, de forma a ecomizar espaço.

A arquitetura do projeto é bem interessante.

Agora que saiu a versão 1.0 a exposição tende a ser maior, e provavelmente o número de colaboradores também.

Instruções para começar a utilizá-lo podem ser vistas no wiki oficial. O anúncio traz mais informações.

Rodar os aplicativos em um dos domínios é algo bem simples, que pode ser feito pelo menu ou via terminal. Os domínios podem ser personalizados, adicionados ou removidos. Graficamente as janelas são dividias por cores que indicam o nível de segurança atribuído ao grupo.

Veja mais imagens nesta página.

Por mais que os sistemas com base em Linux sejam dados como seguros, eles não são infalíveis, e um app malicioso pode comprometer os outros dados. Como o processo final depende das ações dos usuários, esta camada de proteção parece eficiente e funcional, permitindo um certo nível de conforto a mais.

Lembra um pouco recursos como sandbox, inclusive faz lembrar o Sandboxie, um exelente programa para Windows. Ele intercepta as chamadas do executável para alterações no sistema, salvando as modificações numa outra pasta – e lendo a partir dela também, quando disponível. Um programa que roda numa caixa de areia não consegue alterar arquivos dos outros programas ou do sistema, ou mesmo chaves do registro. O aplicativo até “pensa” que altera, mas na verdade a alteração é salva em um local separado, mantendo o original intacto.

O Qubes trabalha parcialmente com esse conceito só que num outro nível, já que usa um hypervisor dado como muito seguro. O nível de segurança real ainda irá depender dos usuários: não basta instalar o Qubes e achar que pode sair clicando em tudo. É necessário se preparar e entender um mínimo de como ele funciona, como criar e como excluir os “domínios”, etc.

Sendo um projeto de uma equipe pequena, não há garantias de que o Qubes esteja isento de bugs. Por outro lado é open source, então parece que será bem mantido. Esta certamente não é mais uma daquelas distros que surgem sem acrescentar nada de novo ou importante, embora os conceitos utilizados não sejam exatamente novos. Quem sabe as ideias sejam aproveitadas por distros maiores no futuro. Além dos conceitos técnicos por trás, a facilidade de uso é um grande diferencial, já que as tentativas de rodar aplicativos em uma sandbox parecem complicadas demais para os usuários comuns.

Download:

https://wiki.qubes-os.org/trac/wiki/InstallationGuide

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 04/09/2012 23:17

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