P.O.N inverte a lógica que define o gênero de horror cooperativo: em vez de fugir de criaturas sobrenaturais ou perseguidores anônimos, você e até três amigos assumem o papel de criminosos contratados por sindicatos para executar missões, enquanto os verdadeiros predadores da noite são os super-heróis.
Apresentado durante o PC Gaming Show de 2026, o jogo já acumula mais de 700.000 wishlists na Steam antes mesmo de ter uma data de lançamento definitiva, o que diz bastante sobre o apetite do mercado por uma premissa que, no papel, soa absurda, mas na prática parece funcionar muito bem como gancho de horror.
Justiça como ameaça
A proposta central de P.O.N é descrita pelos desenvolvedores como um jogo de “ação furtiva em primeira pessoa com horror”, que “inverte o super-herói tradicional”. Aqui, os guardiões da cidade não são faróis de esperança: são máquinas de caça letais, dispostas a eliminar você e seu grupo com uma brutalidade que o trailer não economizou em mostrar. O vídeo exibido no evento percorre corredores abandonados com quatro jogadores em co-op. Em pouco tempo, o primeiro membro do grupo é removido da partida por um dos super-heróis, cuja identidade o trailer deliberadamente oculta. O colapso da equipe que se segue parece proposital como comunicação: este não é um jogo que vai facilitar a vida de quem chega sem coordenação.
A mecânica de sobrevivência se apoia explicitamente no trabalho em equipe. Os próprios desenvolvedores alertam que abandonar os companheiros é uma sentença: “cada sombra pode esconder um ‘herói’ pronto para entregar sua versão brutal de justiça”. A tensão entre completar os objetivos criminosos impostos pelo contratante e manter o grupo vivo parece ser o motor central do loop de gameplay, colocando P.O.N em território próximo ao de títulos como Payday, só que com o nível de ameaça de um survival horror de peso.
700 mil wishlists e uma espera longa pela frente
O lançamento está marcado para o segundo trimestre de 2027, o que significa uma espera considerável. Com mais de 700.000 adições à lista de desejos na Steam já neste estágio de divulgação, o jogo claramente tocou num nervo: a inversão do arquétipo do herói como ameaça existencial é um terreno pouco explorado no gênero, e o timing não poderia ser melhor para uma proposta que questiona a iconografia dos super-heróis num momento em que a fadiga do gênero é pauta recorrente tanto no cinema quanto nas discussões de comunidades de games.
Em 2026, o mercado de co-op horror já estabeleceu que a fórmula funciona quando há um antagonista com personalidade forte e mecânicas que punem a imprudência individual. P.O.N aposta que colocar o jogador do lado errado da lei, sendo caçado por figuras que deveriam ser admiradas, é o ingrediente que falta para diferenciar o título num gênero que começava a repetir a si mesmo. Se os desenvolvedores conseguirem traduzir a tensão do trailer em sistemas de jogo coesos até Q2 2027, o wishlist já mostra que a audiência está pronta para encarar o herói como monstro.
Fonte: PC Gamer
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