Em 1995, Jeff Bezos deixou um cargo bem pago na D.E. Shaw, em Nova York, e resolveu abrir uma livraria online. A internet ainda era pouco conhecida fora de círculos técnicos. Quando pediu dinheiro à família, ouviu uma pergunta direta do pai: o que é internet?
A pergunta que definiu o investimento familiar
Mike e Jacklyn Bezos aceitaram investir mesmo sem domínio do tema. Segundo documentos enviados à SEC em 1997, o casal comprou 1.430.244 ações da Amazon por cerca de US$ 0,17 cada, somando US$ 243.141,48. Jeff avisou antes de receber o dinheiro: havia 70% de chance de perda total. A frase aparece no livro de Brad Stone, “A Loja de Tudo: Jeff Bezos e a era da Amazon”.
Para o fundador da Amazon, o pior risco não era a chance de 70% de perda total do investimento familiar, mas sim o ‘risco de omissão’, o arrependimento de não ter participado de algo que crescia em uma velocidade que ele nunca tinha visto na vida.
A empresa começou vendendo livros em um site simples, operado a partir de uma garagem. Nos primeiros meses, o crescimento vinha do boca a boca em fóruns e listas de e-mail. Em julho de 1995, a Amazon fez sua primeira venda registrada. Dois anos depois, abriu capital na Nasdaq a US$ 18 por ação, valor não ajustado por desdobramentos.
O valor da participação que mudou de escala
O valor daquela participação inicial mudou com o tempo por causa de splits e vendas parciais. Se as ações tivessem sido mantidas integralmente desde 1995 sem nenhuma venda, o investimento de US$ 243 mil ascenderia a US$ 92,9 bilhões em 2025. Após doações e liquidações ao longo dos anos, o patrimônio familiar atual é de US$ 40 bilhões, segundo o Wall Street Journal.
A decisão dos pais aconteceu em um contexto pessoal distante de grandes fortunas. Jacklyn Bezos teve Jeff aos 17 anos e conciliou trabalho com estudos. Mike Bezos chegou aos Estados Unidos vindo de Cuba aos 16 anos, sem a família, e construiu carreira como engenheiro. O investimento representava parte relevante da poupança familiar.
Essa obsessão por eficiência e economia com o dinheiro investido pelos pais é explorada a fundo no livro As cartas de Bezos, de Steve Anderson. O autor conta que, em 1995, quando a empresa tinha apenas cinco funcionários, Bezos precisava comprar mesas de trabalho. Ao passar por uma loja de materiais de construção, percebeu que era muito mais barato comprar portas de madeira e improvisar pernas nelas.
Até hoje, a Amazon mantém essa cultura de frugalidade e distribui internamente o ‘Prêmio Mesa-porta’ para reconhecer funcionários que apresentam ideias que geram grandes economias para a empresa.
Montessori e a primeira lição sobre sistemas
Antes da Amazon, Jeff Bezos já mostrava interesse por sistemas e eficiência. Na infância, estudou em uma escola Montessori, método que prioriza autonomia e atividades práticas. Em entrevistas, ele associou esse período à forma como passou a resolver problemas sozinho.
Aos 16 anos, trabalhou no McDonald’s em 1980 por US$ 2,69 por hora. Ficava na cozinha, cuidando de processos repetitivos. Em relatos posteriores, descreveu atenção aos sinais que indicavam o tempo exato de preparo. Décadas depois, a Amazon adotaria operações com métricas semelhantes, com controle de tempo e fluxo em centros logísticos.
Da garagem de Seattle ao IPO na Nasdaq
Após se formar em Princeton, Bezos entrou no fundo D.E. Shaw e chegou a vice-presidente ainda na casa dos 30 anos. A ideia da livraria online surgiu ao observar o crescimento anual da internet, que passava de 2.000%. Ele listou produtos que poderiam ser vendidos online e escolheu livros pela variedade de títulos e facilidade de envio.
O crescimento da empresa levou Bezos a um patrimônio que atualmente oscila entre US$ 218,9 bilhões (Forbes) e US$ 268 bilhões (Bloomberg), dependendo da cotação das ações da Amazon e de participações em outras empresas como Blue Origin.
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