A senadora democrata Elizabeth Warren acusou Donald Trump de ter favorecido a NVIDIA em troca de doações e acesso privilegiado. Segundo ela, o presidente autorizou a venda de chips avançados de inteligência artificial para a China logo depois que o CEO Jensen Huang participou de jantares de luxo e fez contribuições para projetos ligados à Casa Branca.
“Depois que o CEO da Nvidia pagou por um jantar especial e sua empresa doou para Donald Trump, ele conseguiu o que queria: vender chips avançados de IA para a China”, escreveu Warren no X. “Dinheiro fala no governo Trump.”
A acusação toca num ponto sensível: a linha entre relações empresariais legítimas e influência comprada. E o timing levanta questões que a Casa Branca ainda não respondeu.
O jantar de US$ 1 milhão e a autorização relâmpago
Em 8 de dezembro, Trump anunciou que a NVIDIA poderia exportar processadores H200, para clientes aprovados na China. O governo americano ficaria com 25% da receita dessas vendas.
A decisão reverteu anos de controles de exportação criados especificamente para impedir que Pequim tivesse acesso a essa tecnologia. O H200 é seis vezes mais poderoso que chips anteriormente liberados para o mercado chinês
Meses antes, Huang havia confirmado uma doação para um projeto de reforma de US$ 300 milhões no salão de baile da Casa Branca. Ele também compareceu a um jantar em Mar-a-Lago onde o ingresso custava US$ 1 milhão por pessoa. Oficialmente, a Nvidia não aparece na lista de doadores da Casa Branca, mas a proximidade entre Huang e Trump ficou documentada.
Warren foi além. No plenário do Senado, ela questionou por que Trump aprovou a venda poucas horas depois de o Departamento de Justiça anunciar uma repressão ao contrabando desses mesmos chips para a China. “Qual é a lógica? Combater o contrabando enquanto legaliza a venda?”, provocou.
Sete senadores chamam a decisão de “perigosa”
A senadora não está isolada. Ela e outros seis democratas, incluindo o líder da maioria Chuck Schumer, enviaram uma carta ao secretário de Comércio Howard Lutnick classificando a autorização como “perigosa” para a segurança nacional.
O argumento é direto: os H200 são processadores militarmente úteis. Rishi Sunak, ex-primeiro-ministro britânico, reforçou essa visão no The Times. “É ingênuo acreditar que esses chips não serão usados para fins militares. Isso aumenta substancialmente a chance de a China alcançar o Ocidente na corrida da IA.”
Enquanto Washington debate, o mercado paralelo já funciona. Uma análise da Reuters mostra que universidades chinesas, empresas estatais e até a Universidade Médica da Força Aérea do Exército Popular de Libertação já estão comprando H200s no mercado cinza.
ByteDance e Alibaba teriam consultado a Nvidia sobre pedidos maiores, aguardando apenas a aprovação de Pequim. Projetos de data centers em Xinjiang detalham planos para mais de 8 mil GPUs H200.
A Casa Branca não respondeu
Até o momento, Trump não comentou publicamente as acusações de Warren. A Nvidia também não se manifestou sobre a relação entre as doações de Huang e a autorização presidencial.
O silêncio alimenta a narrativa democrata de que grandes corporações estão comprando influência direta na Casa Branca. Para os republicanos, a medida seria estratégica: gerar receita para os EUA enquanto a China já consegue os chips de qualquer forma.
O debate não deve acabar tão cedo. Warren já sinalizou que pretende pressionar por investigações sobre o processo de decisão. A questão agora é se outros senadores — incluindo republicanos — vão se juntar ao questionamento ou se a polêmica vai morrer no ciclo de notícias de Washington.
