Novo codec AV2 promete até 30% menos consumo de dados no streaming, mas a adoção exigirá suporte em novos dispositivos

O consórcio Alliance for Open Media concluiu a especificação do codec AV2 após cerca de cinco anos de desenvolvimento. O formato sucede o AV1, já presente em plataformas como YouTube e Netflix, e mantém o mesmo modelo: uso gratuito, sem royalties.

A promessa central é a mesma qualidade de imagem com cerca de 30% menos taxa de bits. Nos testes divulgados pela própria AOMedia, o ganho médio ficou em 28,6% em YUV-PSNR e 32,6% em VMAF, duas métricas usadas para medir qualidade de vídeo. Na prática, isso significa reduzir o consumo de dados em streaming ou aumentar a qualidade mantendo a mesma largura de banda.

O impacto aparece com mais força em resoluções altas. Vídeos em 4K e 8K concentram grande volume de dados por quadro, então qualquer redução de bitrate tem efeito imediato no custo de distribuição e na estabilidade de reprodução. Um stream 4K que hoje exige, por exemplo, 25 Mbps poderia cair para algo próximo de 17–18 Mbps mantendo qualidade visual equivalente, com base na média divulgada.

A estrutura técnica do AV2 amplia o tamanho dos blocos de codificação para 256×256 pixels, o dobro do limite do AV1. Isso reduz a redundância em áreas grandes da imagem, como céus ou paredes. O codec também ajusta melhor a divisão interna desses blocos e os métodos de predição entre quadros, o que ajuda a manter qualidade com menos dados.

Outro ponto é o suporte a múltiplas camadas de vídeo. O padrão permite transmitir várias sequências ao mesmo tempo, útil em cenários como eventos esportivos com múltiplos ângulos simultâneos. O suporte a 3D estereoscópico também está previsto, embora o mercado de TVs compatíveis tenha praticamente morrido nos últimos anos.

A AOMedia ainda não apresentou comparações diretas com HEVC (H.265) ou VVC (H.266) no material inicial. Isso limita a análise fora do ecossistema AV1, já que esses codecs seguem fortes em TVs, Blu-ray e transmissão profissional.

O codec não incorpora, nesta fase, ferramentas baseadas em aprendizado de máquina para compressão. A entidade já indicou que extensões futuras podem incluir suporte a maior profundidade de cor, como 12 bits, e técnicas de IA aplicadas à codificação. Essas funções devem chegar como perfis opcionais.

A adoção depende de hardware. Decodificar AV2 em tempo real exige suporte em chips de TVs, smartphones, GPUs e set-top boxes. A própria AOMedia estima que 53% dos membros devem migrar para o novo padrão em até 12 meses e 88% em dois anos. Essa transição costuma acompanhar ciclos de produto, o que aponta para anúncios mais concretos em eventos como IFA 2026 e CES 2027.

Roshan Baliga, gerente de produto no Google, atribuiu o avanço ao trabalho conjunto de mais de 50 empresas dentro da AOMedia. O grupo inclui nomes como Google, Netflix, Amazon, Microsoft e Intel, todos com interesse direto na redução de custo de streaming.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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