Música eletrônica pode afastar o Aedes aegypti e dificultar a dengue, diz estudo

Pesquisadores descobriram que sons eletrônicos reduzem picadas e reprodução do mosquito da dengue.

Um estudo realizado por pesquisadores na Malásia revelou que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras doenças, apresenta comportamento alterado quando exposto à música eletrônica. A pesquisa, que ganhou nova atenção recentemente, sugere que sons eletrônicos podem atrapalhar significativamente a capacidade do mosquito de se alimentar e reproduzir, abrindo potenciais caminhos para estratégias alternativas de controle.

O experimento publicado na revista científica Acta Tropica utilizou especificamente a música “Scary Monsters and Nice Sprites”, hit de 2010 do DJ e produtor Skrillex, escolhida por suas características de alto volume e variações tonais intensas. Os cientistas compararam o comportamento dos mosquitos em ambientes com e sem a música, observando diferenças marcantes em suas atividades essenciais.

Os resultados foram surpreendentes: os mosquitos expostos à música eletrônica demoraram mais para localizar suas presas, apresentaram menor taxa de picadas e reduziram significativamente sua atividade reprodutiva. No ambiente silencioso, os mosquitos localizavam e picavam um hamster (usado como isca no experimento) em média 30 segundos após serem liberados. Já com a música de Skrillex tocando, eles demoravam mais tempo para encontrar o alvo e muitos sequer chegavam a sugar sangue.

A pesquisa também documentou uma queda acentuada na frequência de acasalamento entre os mosquitos quando expostos à música eletrônica. Este dado é particularmente relevante considerando que qualquer redução na reprodução do Aedes aegypti pode impactar diretamente a população destes vetores e, consequentemente, a transmissão de doenças.

Mosquito Aedes aegypti em close-up durante alimentação sanguínea, mostrando suas características listras brancas
O Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, tem sua capacidade de localizar presas e se reproduzir prejudicada por sons eletrônicos, segundo pesquisa científica.

Como a música afeta os mosquitos?

A explicação científica para esse fenômeno está relacionada à forma como o Aedes aegypti utiliza sinais sonoros para suas atividades essenciais. Os pesquisadores apontam que esses mosquitos dependem de frequências sonoras específicas para localizar parceiros e coordenar o acasalamento. As vibrações de baixa frequência são fundamentais para a sincronia do bater de asas durante a reprodução, e a música eletrônica, rica em variações e batidas intensas, interfere diretamente nesse sistema de comunicação.

Além disso, o sistema sensorial dos mosquitos, que auxilia na localização de fontes de alimento, também sofre interferência quando expostos a ruídos intensos e complexos como os presentes na música eletrônica. Esta perturbação explica a dificuldade aumentada para encontrar e picar hospedeiros em ambientes sonoros.

O estudo, embora tenha sido publicado em 2019, voltou a ganhar destaque nas redes sociais recentemente, com diversos comentários bem-humorados no vídeo oficial da música no YouTube mencionando o efeito “anti-mosquito” da faixa de Skrillex.

 

Entretanto, a comunidade científica mantém-se cética quanto à aplicabilidade prática dessa descoberta. Especialistas consultados pela imprensa internacional apontam que, embora interessante, essa abordagem seria menos eficiente e prática que os métodos convencionais de controle e repelentes já existentes, que atuam sobre o olfato dos mosquitos sem a necessidade de exposição constante a sons em alto volume.

Outro ponto levantado pelos cientistas é que provavelmente outros tipos de sons, não necessariamente música eletrônica, poderiam produzir efeitos semelhantes, mas o estudo não realizou testes comparativos com diferentes estilos musicais ou ruídos diversos para confirmar essa hipótese.

Mesmo com limitações práticas, a pesquisa abre portas para novas investigações sobre como estímulos sensoriais afetam o comportamento do Aedes aegypti, podendo eventualmente contribuir para o desenvolvimento de estratégias complementares no combate às doenças transmitidas por esse vetor.

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Cearense. 37 anos. Apaixonado por tecnologia desde que usou um computador pela primeira vez, em um hoje jurássico Windows 95. Além de tech, também curto filmes, séries e jogos.
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