Esqueça a queda de preço: As duas gigantes que decidiram manter a memória RAM cara

Samsung e SK hynix, responsáveis por mais de 70% da produção global de memória DRAM, avisaram que não pretendem ampliar agressivamente a oferta no curto prazo, mesmo com a demanda em alta. Na prática, isso significa que os preços de RAM e outros componentes que dependem desse tipo de memória devem continuar pressionados, com pouca chance de alívio significativo para consumidores e fabricantes nos próximos trimestres.

Gigantes da DRAM seguram produção em meio a boom de demanda

Em meio a uma “superciclo” de memória, com a demanda por DRAM em níveis recordes puxada por aplicações de inteligência artificial, data centers e PCs mais robustos, o mercado convive com estoques apertados e preços em forte alta.

Relatos recentes da imprensa sul-coreana apontam que Samsung e SK hynix avaliam com cautela qualquer plano de expansão agressiva de capacidade, após um ciclo difícil vivido durante e após a pandemia, quando a queda de demanda levou a cortes significativos na produção de chips de memória. As empresas argumentam que investimentos pesados agora poderiam resultar em excesso de oferta caso o entusiasmo em torno da IA perca força alguns anos à frente.

Medo de excesso de oferta trava expansão mais rápida

A decisão passa por um receio bem conhecido na indústria de semicondutores: o risco de excesso de oferta. Quando fabricantes investem pesado em novas fábricas e linhas de produção e a demanda esfria, o resultado costuma ser um mercado abarrotado de chips e uma queda brusca de preços.

Executivos do setor avaliam que, se a atual onda de projetos de IA desacelerar ou se tornar mais eficiente em termos de hardware, a procura por DRAM pode não acompanhar toda a capacidade instalada. Nesse cenário, quem expandir demais agora corre o risco de ver estoque parado e lucros encolhendo.

Escassez pode se estender além de 2028

Projeções internas de fabricantes e analistas apontam que a restrição de oferta de DRAM deve se alongar por vários anos, possivelmente além de 2028. A expectativa é de um crescimento controlado da capacidade, sempre calibrado para não derrubar preços de forma abrupta. Esse desenho mantém a indústria em terreno confortável, mas deixa pouco espaço para quedas significativas nos valores pagos por módulos de memória. Enquanto isso, grandes clientes têm fechado contratos de fornecimento mais curtos, permitindo que reajustes de preço cheguem mais rápido às tabelas.

Impacto direto em RAM, GPUs e consumidores

O efeito da nova estratégia de Samsung e SK hynix já aparece em toda a cadeia de PCs. Fabricantes de placas-mãe na Ásia relatam quedas acentuadas nas vendas, em alguns casos entre 40% e 50% na comparação com o mesmo período do ano passado, justamente na temporada de fim de ano, quando o normal seria ver aumento de demanda puxado por promoções e troca de máquinas.

Diante do recuo, empresas do setor revisam metas e avaliam cortes de custos e demissões, num movimento que atinge tanto modelos de entrada quanto plataformas intermediárias e avançadas.

No centro dessa desaceleração está a disparada no preço da memória RAM, hoje um dos principais freios para quem pensa em fazer upgrade completo de plataforma. Kits DDR5 passaram a ser vendidos por valores de duas a quatro vezes maiores do que os vistos no fim de 2024 em alguns mercados, tornando menos atraente trocar ao mesmo tempo placa-mãe, processador e memória. Com o orçamento mais apertado, muitos usuários preferem adiar a compra ou estender a vida útil de plataformas antigas por mais um ciclo.

Relatórios de consultorias indicam que os contratos de DRAM em 2025 já acumulam alta próxima de 170% em relação ao ano anterior, com projeções de novos aumentos entre 18% e 23% por trimestre em determinados cenários ao longo de 2025 e 2026. A prioridade dada pelas fabricantes a data centers e servidores de inteligência artificial reduz a fatia de memória disponível para PCs, notebooks e smartphones, pressionando preços em todo o ecossistema de hardware. O resultado é um efeito dominó: com menos placas-mãe vendidas, a renovação de CPUs também desacelera, e a expectativa é que as remessas de processadores no último trimestre de 2025 fiquem abaixo das registradas no mesmo período de 2024.

Nos Estados Unidos, a alta global da DRAM já mudou até a experiência de compra em loja física. A rede Micro Center adotou um modelo de preço dinâmico para módulos de RAM em algumas unidades, deixando de expor etiquetas fixas nas gôndolas e informando os valores apenas no balcão, sob a justificativa de forte volatilidade do mercado. Clientes relatam prateleiras com DDR4 e DDR5 sem preço visível, acompanhadas apenas de avisos para consultar o atendente, num cenário que lembra mais a negociação de commodities do que o varejo tradicional de eletrônicos.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br