Memória DDR5: por que um kit de 32 GB hoje custa o que custava 4 GB em 2007

Se você acha que está pagando caro demais por um kit de DDR5 hoje, você está certo. Mas o tamanho exato do rombo só fica claro quando alguém coloca os números na mesa lado a lado: o que custa um kit de 32 GB de memória rápida em 2026 é, em termos absolutos, o mesmo que custava um kit de 4 GB de DDR2 em 2007.

Não proporcionalmente, não ajustado pela inflação: em valores nominais, estamos no mesmo patamar. A observação partiu de Daniel Lemire, cientista, desenvolvedor e especialista em desempenho de software, que publicou no X que “na base histórica, a memória de computadores caiu a uma taxa exponencial por décadas. Mas acabamos de desfazer cerca de 20 anos de progresso. A RAM, por unidade, está tão cara quanto estava em 2007”.

Os números de 2007 que dói lembrar

Em 2007, o topo de linha para um PC gamer era um kit de 4 GB (2x 2 GB) de DDR2-800. Nos fóruns da época, os threads que celebravam “ofertas imperdíveis” giravam em torno de US$ 100 para esse volume de RAM. A maioria dos usuários ainda operava com 2 GB (2x 1 GB), que era o suficiente para o Windows 32-bit da época, e pagava por volta de US$ 60 nesses mesmos deals. Traduzindo para o custo por gigabyte: algo entre US$ 25 e US$ 30/GB, dependendo da capacidade escolhida.

Hoje, os kits de DDR5 mais populares, sejam de 16 GB ou 32 GB, orbitam os US$ 15 a 16 por GB. No papel, isso sugere que a memória ficou mais barata. E tecnicamente ficou, mas esse dado sozinho é inútil para quem precisa montar uma máquina funcional em 2026.

O que o preço por GB não conta

A métrica de custo por GB ignora o fator mais relevante para o usuário final: quanto você precisa gastar para ter uma quantidade razoável de RAM. Em 2007, 4 GB era o teto generoso para um setup gamer. Hoje, o equivalente funcional é 32 GB, com 16 GB sendo o mínimo aceitável para jogos modernos e multitarefa. E aí o cenário muda completamente.

Um kit decente de 32 GB (2x 16 GB) de DDR5 custa cerca de US$ 500 no momento em que este texto foi escrito. Um kit de 16 GB sai por volta de US$ 250. Em 2007, o equivalente funcional custava entre US$ 65 e US$ 100. Mesmo corrigindo pela inflação, esse valor chegaria a algo entre US$ 100 e US$ 160. A diferença para os US$ 500 de hoje não é marginal: é abismal.

O antes e o depois da crise de memória

O dado que realmente situa a dimensão da queda é a comparação com o ano passado. Antes da atual crise de abastecimento, impulsionada em grande parte pela demanda de infraestrutura de IA, um kit de 32 GB de DDR5-6000 custava entre US$ 100 e US$ 150, de acordo com dados históricos do PCPartPicker. Ou seja: ano passado, você gastava para ter 32 GB de DDR5 rápida exatamente o que alguém gastava em 2007 para ter 4 GB de DDR2. Era o ponto em que décadas de redução de custo se materializavam de forma tangível para o consumidor.

Esse patamar foi destruído. Em 2026, o mesmo kit custa quatro vezes mais do que custava no ano anterior. Não é uma alta marginal de ciclo: é uma reversão que apaga o acúmulo de anos de eficiência de produção e competição de mercado, concentrada em poucos meses.

Anomalia histórica sem precedente recente

O próprio Daniel Lemire classifica o momento como uma anomalia histórica, afirmando não se lembrar de nada parecido no passado recente. A afirmação tem peso: a trajetória de queda de preço de memória DRAM é um dos fenômenos mais consistentes da história da computação pessoal, e qualquer desvio dessa curva atrai atenção imediata de quem acompanha o mercado de semicondutores com seriedade.

Para quem que está considerando um upgrade ou montagem nova em 2026, o cenário exige uma decisão desconfortável: pagar um preço que seria considerado absurdo há 18 meses, aguardar uma normalização que ainda não tem prazo claro ou comprometer o build com menos memória do que o ideal. A crise de DRAM, alimentada pela corrida por capacidade de treinamento e inferência de IA, não discrimina: ela atinge igualmente quem quer montar um servidor de 1TB e quem só quer jogar com 32 GB sem travar. O desafio agora é saber por quanto tempo o mercado de memória consumer vai continuar pagando a conta de uma demanda que não é a sua.

Fonte: PC Gamer

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 11/08/2026 14:16