LinkedIn intensifica combate a publicações geradas por IA após reclamações de usuários
O LinkedIn está intensificando seus esforços para combater publicações de baixa qualidade geradas por inteligência artificial (IA), após um número crescente de usuários reclamar do excesso de conteúdo repetitivo na plataforma. A empresa está utilizando IA para identificar publicações semelhantes a spam e reduzir sua visibilidade, além de incentivar os criadores a compartilhar experiências pessoais e ideias originais.
O problema tem se tornado cada vez mais evidente à medida que ferramentas de IA generativa facilitam a produção de grandes volumes de conteúdo com pouco esforço. Os usuários do LinkedIn encontram cada vez mais publicações repletas de listas com marcadores, emojis, conselhos genéricos sobre negócios e pedidos de curtidas, comentários e seguidores para impulsionar o engajamento.
De acordo com um relatório publicado em julho pela Pangram, empresa de pesquisa que monitora conteúdos gerados por IA, estima-se que mais de 40% das publicações longas no LinkedIn tenham sido produzidas com o auxílio dessa tecnologia. No X e no Medium, o índice ficou em torno de 30%, enquanto Reddit e Substack apresentaram percentuais menores.
LinkedIn quer incentivar publicações mais autênticas
Dan Roth, editor-chefe do LinkedIn e responsável pela estratégia de conteúdo, afirmou que a plataforma quer incentivar os criadores a priorizar a autenticidade, em vez de seguir fórmulas prontas para maximizar o engajamento.
Segundo Roth, muitos usuários se acostumaram a publicar textos com estruturas aparentemente perfeitas, introduções chamativas, listas organizadas e outros elementos frequentemente recomendados por consultores de redes sociais. No entanto, essa abordagem costuma resultar em conteúdos sem personalidade e sem informações realmente relevantes. Para os usuários do LinkedIn essa abordagem acaba prejudicando quem espera encontrar conhecimentos úteis para sua carreira, aprender com as experiências de outras pessoas e desenvolver conexões profissionais.
No entanto, os usuários não deixaram de notar a ironia na posição do LinkedIn. A plataforma pertence à Microsoft, que tem promovido intensamente ferramentas de IA para escrita, programação e outras atividades profissionais. Além disso, anteriormente o LinkedIn oferecia recursos baseados em IA para ajudar os usuários a editar e reescrever publicações, embora tenha reduzido algumas dessas funcionalidades desde então.

Novos sistemas de IA buscam reduzir publicações de baixa qualidade
Em agosto, o LinkedIn começou a permitir que os usuários denunciassem publicações que aparentassem ser spam gerado por IA. Segundo a empresa, o recurso recebeu mais de um milhão de cliques nas duas primeiras semanas.
A plataforma também está desenvolvendo seus próprios sistemas de detecção baseados em inteligência artificial para identificar publicações de baixa qualidade. O LinkedIn reuniu uma equipe formada principalmente por ex-jornalistas e especialistas em redes sociais, responsáveis por ajudar a treinar os modelos para distinguir publicações autênticas e úteis de conteúdos repetitivos que oferecem pouco valor aos leitores.
As publicações identificadas como conteúdo de baixa qualidade gerado por IA passam a ter menos chances de alcançar usuários além das conexões diretas de seus autores. Dessa forma, o LinkedIn consegue reduzir a distribuição de conteúdos considerados pouco úteis sem necessariamente remover todas as publicações sinalizadas. No mês passado, a empresa relatou os primeiros sinais de progresso, com melhorias nos sistemas de detecção resultando em uma redução de 40% nas visualizações de conteúdos classificados como AI slop.
O LinkedIn também trabalha diretamente com executivos, especialistas de diferentes setores e outros criadores por meio de uma equipe que os ajuda a aprimorar suas publicações. De acordo com Roth, alguns usuários ficam surpresos ao descobrir que textos bem elaborados, produzidos com ferramentas como Claude ou Gemini, apresentam desempenho ruim.
Plataforma incentiva conteúdos mais pessoais e menos perfeitos
Como parte de sua estratégia, o LinkedIn está incentivando os usuários a adotar uma abordagem menos formal na hora de publicar suas postagens. Em vez de recorrer a estúdios profissionais para produzir vídeos, por exemplo, os criadores podem simplesmente gravar a si mesmos com um smartphone, dando um toque caseiro e humano à produção.
A empresa também quer que os usuários se sintam à vontade para compartilhar pensamentos capazes de iniciar conversas, mesmo quando as publicações não apresentam uma estrutura perfeita ou ideias totalmente desenvolvidas. A proposta é que experiências pessoais, observações originais e opiniões genuínas tenham mais valor do que textos que seguem fórmulas criadas principalmente para gerar engajamento.
Ainda assim, Roth reconheceu que nem todas as pessoas se sentem naturalmente confortáveis ao se comunicar pela internet e que a inteligência artificial ainda pode ajudá-las a expressar suas ideias com mais clareza. A empresa, porém, acredita que os criadores devem revisar e personalizar os materiais produzidos por IA, em vez de publicá-los sem alterações.
Usuários criticam excesso de conteúdo genérico
Even LinkedIn is getting tired of your AI-written posts
byu/spherocytes intechnology
As medidas anunciadas pelo LinkedIn foram recebidas com ceticismo por usuários do Reddit, que criticaram não apenas o excesso de publicações geradas por inteligência artificial, mas também a estratégia da plataforma para aumentar o engajamento. Para muitos, o problema vai além dos textos automatizados e está relacionado à prioridade dada às interações em detrimento da qualidade do conteúdo.
Um dos comentários mais populares destacou a contradição da empresa ao incentivar a produção de publicações por meio de ferramentas de IA e, posteriormente, tentar combater os resultados dessa prática. Outros usuários argumentaram que aumentar o número de publicações e o tempo de permanência na plataforma não significa necessariamente oferecer uma experiência melhor. Alguns também ironizaram o uso de inteligência artificial para identificar conteúdos produzidos pela própria tecnologia.
As reclamações, porém, não se limitaram à inteligência artificial. Diversos participantes descreveram o LinkedIn como uma plataforma cada vez menos útil, citando vagas de emprego falsas, recrutadores insistentes, perfis fraudulentos e publicações feitas apenas para promover produtos ou construir uma imagem de especialista.
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