Como o legado de Steve Jobs molda as campanhas épicas da Apple até hoje

Mais de uma década após seu falecimento, Steve Jobs continua sendo uma força motriz nas estratégias de marketing da Apple. Executivos da agência de publicidade que atende a gigante tecnológica revelaram recentemente como as diretrizes específicas do cofundador da empresa continuam moldando algumas das campanhas publicitárias mais icônicas do mundo, incluindo a premiada “Shot on iPhone”.

A TBWA\Media Arts Lab (MAL), braço dedicado exclusivamente à conta da Apple, compartilhou em entrevista à AdWeek os desafios e responsabilidades de manter vivo o legado criativo de Jobs. Essa agência é descendente direta da Chiat/Day, responsável pelo lendário comercial “1984” que apresentou o Macintosh ao mundo.

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“[Jobs era] implacável em sua visão para a Apple e em suas expectativas para qualquer publicidade e marketing”, explicou Brent Anderson, diretor criativo global da MAL. Segundo ele, Jobs confiava na “expressão criativa pura e na habilidade de simplificar e reduzir” de Lee Clow, figura-chave da Chiat/Day e mentor da agência atual.

A criação da Media Arts Lab aconteceu especificamente durante os preparativos para o lançamento do primeiro iPhone. Anderson ressalta que “havia a necessidade de um lançamento coordenado em vários mercados para o iPhone, algo nunca visto antes. Tinha que ser impecável”. Jobs concordou com a formação da nova agência, mas com a condição de que contasse com pessoas específicas da Chiat/Day, incluindo o próprio Clow.

Guardando o legado entre paredes separadas

A estética minimalista e impactante das campanhas da Apple reflete a filosofia de simplicidade que Steve Jobs exigia em toda comunicação da marca.

Um aspecto interessante da operação é que a MAL funciona como uma entidade externa, fisicamente separada da Apple. Katrien De Bauw, CEO global da agência, que assumiu a liderança junto com Anderson em 2016, descreve a relação como “somos os outsiders do lado de dentro”. Essa separação é proposital e mantém a tensão criativa que Jobs valorizava.

Antes de assumirem seus cargos, tanto De Bauw quanto Anderson ouviram histórias sobre a colaboração entre Clow e Jobs, o que gerou um enorme senso de responsabilidade. “Eu realmente senti o peso”, confessa De Bauw. “Você entra apoiado nos ombros de gigantes. Isso vem com uma enorme responsabilidade.” A executiva admite que ao assumir o cargo pensou: “É melhor não estragarmos isso.”

Atualmente, o vice-presidente de comunicações de marketing da Apple, Tor Myhren, faz o briefing tanto para a equipe interna de marketing da Apple (Marcom) quanto para a MAL. Embora trabalhem juntos, De Bauw revela que Myhren “quer que questionemos, desafiemos e tragamos o ponto de vista dos consumidores para dentro da Apple para tomar as decisões certas sobre qualquer projeto”.

Nem sempre a relação foi harmoniosa. Por volta de 2013, surgiram relatos de profissionais da MAL frustrados com a direção dada por Phil Schiller, então executivo de marketing da Apple. Em 2014, Hiroki Asai, que era vice-presidente de Marketing Global da Apple, reformulou a equipe interna de publicidade, trazendo mais trabalho para dentro da empresa. Asai se aposentou e Myhren assumiu em 2016, período que coincidiu com a chegada de Anderson e De Bauw à MAL.

A abordagem da agência não é simplesmente reagir às solicitações da Apple, mas antecipar necessidades futuras. “A organização da MAL mudou para poder entregar o que a Apple precisa hoje, mas também o que achamos que ela pode precisar amanhã”, explica De Bauw. “Se você apenas entrega o que o cliente está pedindo, estará sempre um pouco atrás. Você precisa correr alguns riscos.”

Em 2019, houve relatos de redução de pessoal na MAL, enquanto a Apple mudava sua estratégia de marketing. Na época, Myhren reafirmou: “A confiança da Apple na MAL como nossa agência de publicidade exclusiva é tão forte quanto sempre foi. À medida que continuamos a evoluir nossa abordagem de marketing, pedimos à MAL que faça o mesmo.”

Essa evolução constante, sempre ancorada nos princípios de simplicidade e excelência que Steve Jobs exigia, continua produzindo campanhas premiadas como “Shot on iPhone” – resultado da colaboração entre a equipe interna da Apple e uma agência externa dedicada a manter viva a visão de seu fundador mais influente.

Fonte: AppleInsider

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