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Jensen Huang e Elon Musk acreditam que GPUs profissionais podem durar mais de 8 anos e continuar valiosas graças à IA

Jensen Huang e Elon Musk acreditam que GPUs usadas em inteligência artificial podem continuar valiosas por mais de 8 anos. Entenda os motivos.

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A corrida pela inteligência artificial está mudando até mesmo a maneira como as empresas enxergam a vida útil de suas placas de vídeo. Se antes os aceleradores gráficos utilizados em data centers eram considerados economicamente ultrapassados depois de aproximadamente quatro anos, agora existe a possibilidade de que continuem relevantes por oito anos ou mais.

Essa é a avaliação de Jensen Huang, CEO da NVIDIA, que abordou o assunto durante a conferência GTC Berlin 2026. O empresário defende que os avanços no software e a crescente demanda por processamento estão prolongando a utilização comercial das GPUs.

Elon Musk também compartilha dessa visão. Para o empresário, os avanços nos modelos de inteligência artificial estão permitindo extrair cada vez mais valor de equipamentos que já estão no mercado há vários anos.

Jensen Huang acredita que GPUs podem continuar úteis por mais de oito anos

Homem de óculos segurando dois chips de GPU em apresentação, um deles maior, com a placa em destaque no palco de um evento

Durante uma entrevista concedida à jornalista Deirdre Bosa, na GTC Berlin, Huang explicou que a combinação entre desempenho, compatibilidade e atualizações de software está transformando a longevidade dos aceleradores da NVIDIA.

Segundo o executivo, equipamentos que anteriormente eram associados a um ciclo de utilização de quatro anos podem permanecer produtivos por oito anos ou até mais.

Um dos motivos é que a NVIDIA continua aprimorando seus softwares mesmo depois do lançamento de novas gerações de hardware.

Isso significa que uma GPU não precisa necessariamente ser substituída apenas porque uma arquitetura mais recente chegou ao mercado.

A arquitetura Ampere, apresentada em 2020 e utilizada em aceleradores como a NVIDIA A100, é um exemplo. Mesmo seis anos depois de seu lançamento, esses equipamentos continuam encontrando aplicações comerciais.

Para Huang, essa longevidade também tem implicações financeiras. Como os aceleradores preservam sua utilidade, eles podem representar ativos valiosos para empresas que precisam financiar a construção de novos data centers.

Elon Musk explica por que GPUs antigas podem se tornar mais valiosas

Elon Musk apresentou um argumento semelhante durante uma teleconferência de resultados da SpaceX, realizada em outubro de 2026.

Segundo o empresário, o valor da capacidade computacional não depende exclusivamente da potência de uma GPU, mas também da quantidade de trabalho útil que ela consegue realizar.

Conforme os modelos de IA se tornam mais eficientes, um mesmo equipamento pode produzir resultados melhores sem necessariamente consumir mais energia.

Musk utiliza o conceito de “inteligência útil por watt” para explicar esse fenômeno.

Na avaliação dele, essa evolução ajuda a explicar por que aceleradores como a NVIDIA H100 continuam apresentando forte demanda comercial, mesmo depois da chegada de produtos mais avançados.

O empresário chegou a afirmar que existem H100 sendo alugadas por valores superiores aos praticados quando eram novas.

Isso não significa, entretanto, que todas as GPUs antigas estejam se valorizando. Os preços dependem de fatores como disponibilidade, demanda, consumo energético e capacidade de executar determinados modelos.

GPUs antigas realmente deixaram de perder valor?

Apesar do otimismo dos executivos, a questão é mais complexa.

Uma análise do Goldman Sachs sobre a infraestrutura de inteligência artificial aponta que a vida útil econômica dos aceleradores costuma ser estimada entre quatro e seis anos.

O banco também destaca que equipamentos antigos podem continuar relevantes em atividades menos exigentes, especialmente na inferência de modelos de IA, processo em que sistemas já treinados geram respostas para os usuários.

Existe, porém, uma diferença importante entre vida útil física, vida útil econômica e depreciação contábil.

Uma GPU pode continuar funcionando durante muitos anos, mas deixar de ser financeiramente interessante caso um equipamento mais moderno consiga executar a mesma tarefa consumindo muito menos energia.

Além disso, o lançamento de novas arquiteturas pode reduzir o valor de revenda das gerações anteriores.

Portanto, a previsão de Huang não representa uma garantia de que todos os aceleradores da NVIDIA permanecerão lucrativos durante oito anos.

O que está mudando é a percepção de que GPUs utilizadas em inteligência artificial podem continuar gerando receita muito depois de deixarem de ser consideradas equipamentos de última geração.

Essa previsão também vale para placas GeForce usadas em jogos?

Embora Jensen Huang e Elon Musk utilizem o termo GPUs, suas declarações estão concentradas nos aceleradores profissionais empregados em data centers e sistemas de inteligência artificial, como as NVIDIA A100 e H100.

Isso não significa que placas de vídeo domésticas, como as GeForce RTX 3060, RTX 4060 ou RTX 5090, também passarão a manter seu valor comercial por oito anos.

No mercado de jogos, fatores como desempenho em novos títulos, quantidade de memória de vídeo, tecnologias suportadas e lançamento de novas gerações continuam influenciando a desvalorização dos equipamentos.

Portanto, a previsão dos executivos diz respeito principalmente à capacidade das GPUs profissionais de continuar gerando receita por períodos mais longos, e não a uma valorização generalizada das placas de vídeo destinadas aos consumidores.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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