O iPhone 18 Pro deve ser apresentado em setembro, mas a Apple chega às semanas finais antes da nova geração enfrentando uma variável difícil de controlar: o preço dos chips de memória. Estimativas indicam que DRAM e armazenamento NAND podem custar várias vezes mais do que na geração anterior, aumentando significativamente a conta para fabricar o aparelho.
A pressão acontece em um momento no qual fabricantes de memória direcionam recursos para atender à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Para a Apple, o desafio não é apenas garantir componentes suficientes para produzir milhões de iPhones. A empresa também precisa decidir quanto do aumento conseguirá absorver e quanto poderá chegar ao preço pago pelo consumidor.
Ainda não há preço oficial para o iPhone 18 Pro. Também não existe uma data de lançamento anunciada pela Apple. O histórico recente, porém, torna setembro a principal janela para a apresentação dos modelos Pro, e coloca a empresa diante de uma contagem regressiva para fechar sua estratégia de produção e preços.
Memória do iPhone 18 Pro pode custar várias vezes mais
É nos chips de memória que aparece uma das maiores diferenças entre a próxima geração e seu antecessor.
Estimativas da empresa de análise TechInsights, divulgadas originalmente pelo The Wall Street Journal, calculam que os 12 GB de DRAM utilizados no iPhone 17 Pro custaram aproximadamente US$ 39 por aparelho à Apple. No iPhone 18 Pro, o valor poderia chegar a cerca de US$ 145. O aumento projetado é de aproximadamente 272%.
O armazenamento também entrou nessa conta. Os 256 GB de memória NAND do iPhone 17 Pro teriam um custo estimado em US$ 13. Para a próxima geração, o componente poderia chegar a US$ 51.
Somados, DRAM e armazenamento passariam de aproximadamente US$ 52 para US$ 196 por aparelho nessas estimativas. A diferença ajuda a explicar por que a discussão sobre o preço do próximo iPhone não depende apenas das novidades que a Apple pretende colocar no aparelho.
Custo estimado para fabricar o iPhone 18 Pro pode subir 25%
A TechInsights estima em aproximadamente US$ 530 os demais componentes e custos de fabricação do iPhone 17 Pro, excluindo DRAM e armazenamento.
Ao acrescentar as memórias, a estimativa total chega a aproximadamente US$ 582 para o modelo atual.
Mantendo a mesma base de comparação e incorporando a alta projetada das memórias, o custo estimado do iPhone 18 Pro subiria para cerca de US$ 726, aproximadamente 25% a mais. Uma estimativa de custo de componentes não corresponde ao custo total de colocar um iPhone nas lojas. Desenvolvimento de hardware e software, logística, marketing, distribuição, suporte e outras despesas não estão necessariamente representados da mesma maneira nesses cálculos.
A estimativa é útil principalmente para mostrar a dimensão da pressão que os componentes exercem sobre a margem do aparelho.
Por que a inteligência artificial está afetando o preço das memórias
A disputa por memória deixou de acontecer apenas entre fabricantes de smartphones, computadores e outros eletrônicos de consumo. A construção de servidores e data centers para inteligência artificial criou enorme demanda por memória, especialmente por produtos de maior desempenho e maior valor agregado destinados a aceleradores de IA.
Para fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron, atender esse mercado pode ser mais atraente do que ampliar na mesma proporção a oferta de memória convencional destinada a PCs e smartphones. O resultado é um mercado mais apertado para os fabricantes de eletrônicos de consumo.
Projeções da TrendForce ao longo de 2026 já apontaram fortes aumentos nos preços contratuais de DRAM e NAND. A própria Apple não está isolada dessa mudança. Mesmo com uma cadeia de suprimentos capaz de movimentar centenas de milhões de dispositivos, a empresa precisa negociar em um mercado no qual outros compradores estão disputando grandes volumes de memória.
Apple está aumentando estoques para reduzir sua exposição aos preços
Segundo informações da imprensa sul-coreana, a companhia aumentou a quantidade de determinados componentes mantidos em reserva. No caso dos painéis OLED, o estoque de segurança teria passado de aproximadamente quatro para seis semanas a partir do segundo trimestre de 2026.
A mudança é relevante porque a Apple ficou conhecida por manter uma cadeia de suprimentos enxuta, evitando carregar estoques muito maiores do que o necessário. Manter mais componentes disponíveis oferece proteção contra oscilações de preço e possíveis problemas de fornecimento, mas também tem um custo. Peças compradas antecipadamente representam capital imobilizado e podem se transformar em estoque excedente caso as projeções de vendas mudem.
A estratégia também não resolve sozinha a pressão sobre memória. Relatos recentes indicam que a Apple continua procurando alternativas para ampliar sua oferta de DRAM, inclusive avaliando fornecedores adicionais.
Quanto poderia custar o iPhone 18 Pro?
O iPhone 17 Pro foi lançado nos Estados Unidos com preço inicial de US$ 1.099. Segundo os cálculos da TechInsights, a margem bruta estimada do aparelho ficaria próxima de 47%.
Caso o custo de aproximadamente US$ 726 projetado para o iPhone 18 Pro se confirme, manter uma margem equivalente exigiria um preço próximo de US$ 1.371. Como a companhia normalmente trabalha com degraus mais convencionais de preço, um dos cenários considerados coloca o iPhone 18 Pro em US$ 1.299. Nesse caso, a margem estimada seria menor, próxima de 44%.
Outro cenário citado chega a US$ 1.399 ou mais caso sejam incorporados aumentos de outros componentes esperados para a geração, incluindo mudanças no sistema de câmeras. A companhia ainda pode aceitar margens menores, compensar parte do custo em outros componentes, conseguir condições melhores com fornecedores ou adotar outra estratégia comercial.
Escala da Apple será colocada à prova pela crise de memória
Comprar componentes em volumes gigantescos normalmente dá à Apple uma vantagem importante na negociação com fornecedores. A atual crise de memória mostra o limite dessa vantagem quando toda a estrutura do mercado muda. A companhia pode negociar contratos, antecipar compras, aumentar estoques, procurar fornecedores adicionais ou aceitar margens menores. Nenhuma dessas alternativas, porém, faz desaparecer o aumento no custo dos componentes. É justamente por isso que o lançamento do iPhone 18 Pro será um indicador interessante para além do ecossistema da Apple.
Se uma empresa com o volume de compras da Apple precisar repassar uma parcela relevante da alta ao consumidor, outros fabricantes de smartphones com menor poder de negociação podem enfrentar uma situação ainda mais difícil.
Você também deve ler!
iPad A16 Wi-Fi está com 25% de desconto: ele pode substituir um computador?