Intel vende menos processadores, mas aumenta receita com CPUs mais caras — entenda a estratégia por trás dos resultados

A Intel encerrou o segundo trimestre de 2026 com um cenário curioso: a companhia comercializou menos processadores para computadores pessoais, mas conseguiu elevar a receita do segmento graças ao aumento do preço médio das CPUs.

A estratégia ficou evidente durante a divulgação dos resultados financeiros da empresa. Segundo os executivos da Intel, a demanda por chips de entrada diminuiu, enquanto a companhia concentrou sua oferta em modelos de maior valor agregado. Como consequência, o volume de unidades caiu, mas o preço médio de venda (ASP, Average Selling Price) aumentou o suficiente para compensar essa redução.

Esse movimento ajudou a Intel a superar as expectativas do mercado no trimestre.

Receita cresceu mesmo com queda no volume de CPUs

No segmento Client Computing Group (CCG), responsável pelos processadores para desktops e notebooks, a Intel registrou receita de US$ 8,88 bilhões, acima das projeções dos analistas.

Durante a conferência com investidores, o diretor financeiro David Zinsner explicou que o número de processadores vendidos caiu em relação ao ano anterior, mas o preço médio aumentou porque a empresa reduziu a participação de chips voltados ao segmento de entrada e passou a priorizar produtos premium.

Na prática, isso significa que cada unidade comercializada gerou mais receita.

A demanda por PCs continua desigual

O resultado mostra uma mudança importante no mercado de computadores.

Embora a indústria de PCs tenha apresentado sinais de recuperação ao longo de 2026, esse crescimento não ocorreu de forma uniforme. Fabricantes e consumidores continuam demonstrando maior interesse por máquinas equipadas com processadores mais potentes, enquanto modelos básicos enfrentam demanda mais fraca.

Analistas também observam que o entusiasmo em torno dos chamados AI PCs ainda não provocou uma renovação em massa do parque instalado, reduzindo o apelo dos computadores mais baratos e ampliando o foco em equipamentos de maior desempenho.

IA também influencia a estratégia da Intel

Outro fator que favoreceu a empresa foi o crescimento da divisão de servidores e inteligência artificial.

A unidade Data Center and AI faturou US$ 6,26 bilhões, acima das estimativas do mercado, impulsionada pela forte demanda por processadores Xeon destinados a data centers e infraestrutura de IA.

Esse cenário permite que a Intel concentre parte da produção em chips de maior margem de lucro, uma estratégia que também contribui para elevar o preço médio dos processadores vendidos.

Intel supera expectativas e melhora projeções

No consolidado do trimestre, a Intel registrou receita de US$ 16,13 bilhões, crescimento de aproximadamente 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, além de divulgar uma projeção para o terceiro trimestre acima das expectativas dos analistas.

A empresa também anunciou aumento dos investimentos em capacidade de fabricação e reafirmou os planos para o processo de produção 14A, considerado um dos pilares da estratégia para recuperar competitividade frente a concorrentes como AMD e TSMC.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 27/07/2026 11:32

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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