Como hoje em dia a maioria dos processadores (principalmente no caso da linha da Intel) operam bem abaixo das frequências máximas que são capazes, restritos mais pela política de modelos do fabricante e pelos limites de dissipação térmica estabelecidos por ele do que por fatores técnicos, cada vez mais usuários têm percebido que em muito caso vale mais à pena comprar um processador mais barato e compensar a diferença via overclock.
Naturalmente, a Intel tem acompanhado a festa e têm criado formas de capitalizar dentro deste nicho, criando formas de dificultar o overclock e ao mesmo tempo oferecendo versões desbloqueadas dos processadores por preços um pouco mais altos. Ou seja, você pode fazer seu overclock tranquilamente, com as bênçãos da Intel, desde que pague mais caro por isso.
Uma outra tendência são os upgrades via software, que simplesmente atuam sobre o microcódigo do processador, desbloqueando recursos que estavam desativados (cache, HT, etc.) ou aumentando o clock do processador de forma a melhorar o desempenho. Já a algum tempo a Intel vem testando a ideia de vender estes upgrades, começando com processadores low-end de forma a conseguir alguns trocados extras.
Anteriormente foi oferecido um upgrade para o Pentium G6951 e agora estão sendo oferecidos upgrades para o Core i3-2312M (2.1GHz, 3MB), i3-2102 (3.1GHz, 3MB) e Pentium G622 (2.6GHz, 3MB), que após o upgrade passam a trabalhar, respectivamente como um i3-2393M (2.5GHz, 4MB), i3-2153 (3.6GHz, 3MB) ou Pentium G693 (3.2GHz, 3MB), com um ganho de desempenho de 10 a 15% na maioria das situações. Os “upgrades” podem ser comprados no site da Intel e são aplicados através de um software, em um processo muito similar ao desbloqueio de um software shareware, onde você compra uma chave de ativação.
Os upgrades estão longe de serem baratos, custando US$ 50, que é quase o mesmo preço de um processador low-end. Basicamente, a Intel está tentando vender os processadores duas vezes, cobrando US$ 65 pelo processador e depois mais US$ 50 pelo upgrade. Se todos os usuários começassem a pagar pelos upgrades, este seria um negócio da China para a Intel, que passaria a ter um lucro várias vezes maior nos processadores de entrada. Entretanto, algo me diz que os resultados serão modestos, já que a maioria dos usuários que compram PCs de baixo custo hoje em dia não estão muito interessados em desempenho do processador, muito menos pagar US$ 50 a mais em troca de um ganho de 10 a 15%.
