A Intel confirmou que recebeu um aporte de US$ 5,7 bilhões em dinheiro vivo do governo dos Estados Unidos, mas a negociação envolvendo uma fatia acionária da empresa ainda não está oficialmente concluída.
O anúncio foi feito pelo diretor financeiro da companhia, David Zinsner, durante uma conferência com investidores nesta quinta-feira (29). Segundo ele, o acordo foi articulado pelo presidente Donald Trump e prevê que o governo norte-americano adquira 10% de participação na Intel, como incentivo para que a gigante mantenha o controle sobre sua divisão de manufatura de chips, conhecida como foundry.
Governo mira participação estratégica
De acordo com Zinsner, o contrato também inclui um warrant de 5%, uma espécie de direito de compra adicional, que poderá ser acionado caso a Intel deixe de deter mais de 51% da sua unidade de manufatura.
O executivo, no entanto, minimizou a hipótese:
“Não acredito que haja uma grande chance de reduzirmos nossa fatia abaixo de 50%. Portanto, espero que esse warrant acabe expirando sem valor”, afirmou.
Apesar da declaração, a Casa Branca adotou tom mais cauteloso. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, disse que o acordo “ainda está sendo acertado pelo Departamento de Comércio”. Segundo ela, detalhes jurídicos e administrativos ainda precisam ser finalizados.
CHIPS Act e a disputa geopolítica
O aporte bilionário vem de recursos originalmente destinados à Intel pelo CHIPS Act de 2022, lei sancionada na gestão Biden para reforçar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência da Ásia.
A transformação desse incentivo em participação acionária do governo representa uma mudança significativa na política industrial americana, em um momento em que a disputa tecnológica com a China pressiona fabricantes como Intel, TSMC e Samsung.
Intel em reestruturação
O movimento ocorre em meio a uma profunda reestruturação interna da Intel. A empresa levantou US$ 2 bilhões com o SoftBank no início do mês e anunciou que vai reduzir seu quadro para 75 mil funcionários, como parte da estratégia do novo CEO, Lip-Bu Tan, para recuperar competitividade.
Entre as medidas estão:
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Separar a unidade de foundry da área de design de chips.
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Buscar clientes de grande porte para a tecnologia de próxima geração 14A.
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Avaliar a entrada de investidores estratégicos na divisão de manufatura.
Caso não consiga garantir um cliente âncora para o processo 14A, a Intel admite até a possibilidade de sair do mercado de foundry, dominado atualmente pela TSMC.