Um computador com três antenas, tela de 10,4 polegadas e 20.000 mAh de bateria. É isso que um engenheiro de software oriundo da região do Donbas, no leste da Ucrânia, construiu do zero. O coração da máquina é um Raspberry Pi Compute Module 5, módulo compacto com processador Broadcom BCM2712 quad-core Cortex-A76 rodando a 2,4 GHz e opções de até 16 GB de RAM LPDDR4X-4267. Há também uma placa-mãe Waveshare PoE IO Board para CM5, que entrega duas saídas HDMI 4K, USB 3.2 Gen 1, slot NVMe M.2 e suporte a Power over Ethernet no padrão IEEE 802.3af/at. A tela escolhida foi o painel QLED Quantum Dot Capacitivo de 10,4 polegadas com resolução de 1600×720 pixels.
O conjunto de rádios é o que mais chama atenção. A primeira antena cuida de Wi-Fi e Bluetooth, funções nativas do CM5. A segunda roda Meshtastic, plataforma de código aberto que usa o protocolo LoRa para criar redes mesh sem internet, sem sinal de celular e sem nenhum servidor centralizado: cada dispositivo repassa a mensagem para o próximo nó da rede, e em campo aberto o sinal alcança entre 2 e 5 km por salto. Com retransmissão em malha e terreno favorável, redes ativas já registraram mais de 100 km de alcance total. O Meshtastic tem uma função opcional chamada MQTT que usa a internet como ponte para conectar redes distantes, mas o modo padrão de operação é inteiramente off-grid. A terceira antena é um transceptor RF nos padrões 315, 433, 868 e 915 MHz, faixas ISM que não exigem licença de operação na maioria dos países.
A alimentação vem de um UPS modelo x1206 associado a baterias de 20.000 mAh. O criador incluiu um alto-falante interno para o equipamento funcionar também como substituto de um boombox portátil. A estrutura externa foi fabricada manualmente e pintada em verde militar fosco, com detalhes metálicos pintados de prata nas quinas e uma grelha de ventilação lateral. O conjunto pesa visualmente como peça de sobrevivência de campo.
O autor descreve a construção como tributo à sua região natal: instalações industriais abandonadas, bunkers antiaéreos e minas de carvão que ele explorava na infância no Donbas. A escolha do Meshtastic como protocolo de comunicação ganha um segundo significado considerando que a região segue em conflito ativo desde 2014 e que redes mesh de rádio têm sido adotadas por civis e militares ucranianos como alternativa às telecomunicações convencionais
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