O governo federal começou a estruturar uma Nuvem Brasileira, infraestrutura de computação em nuvem que pretende manter no país tecnologias consideradas críticas e reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros. A proposta será desenvolvida em parceria com empresas privadas e deverá atender tanto órgãos públicos quanto clientes do setor privado. O projeto ainda está em uma fase inicial. Não foram definidos publicamente o investimento necessário, a empresa que operará a infraestrutura nem toda a tecnologia que será usada.
A iniciativa foi apresentada como parte de um conjunto de ações do governo voltadas à soberania tecnológica e ao desenvolvimento de inteligência artificial no Brasil.
Nuvem Brasileira terá padrões abertos e tecnologia nacional
A intenção não é apenas instalar servidores fisicamente dentro do Brasil. O governo afirma que a infraestrutura deverá utilizar tecnologia nacional em componentes críticos, além de padrões abertos e interoperáveis. Isso permitiria diminuir a dependência de uma única empresa ou tecnologia e facilitar a movimentação de sistemas entre diferentes ambientes.
O projeto será estruturado inicialmente por meio de um acordo de cooperação envolvendo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES. Uma das primeiras etapas será uma escuta de mercado. O objetivo é descobrir qual capacidade a indústria brasileira já possui, avaliar tecnologias disponíveis e, a partir disso, definir o modelo da futura nuvem.
Isso significa que questões importantes continuam abertas. O governo ainda não informou qual organização ficará responsável pela operação, quanto será investido especificamente no projeto ou como toda a pilha de software necessária será desenvolvida.
Governo quer usar seu poder de compra para criar mercado
Uma das peças da estratégia será o próprio Estado. Como o governo federal é um grande comprador de serviços de tecnologia, a ideia é utilizar essa demanda para dar escala a fornecedores brasileiros. A infraestrutura criada não ficaria necessariamente restrita aos órgãos públicos. O plano prevê estimular soluções nacionais capazes de disputar clientes também no mercado privado.
O governo já possui uma experiência mais restrita nesse campo com a Nuvem de Governo, operada por Serpro e Dataprev. A nova iniciativa pretende ir além ao estimular uma cadeia nacional de tecnologias e fornecedores.
A Nuvem Brasileira também integra uma estratégia maior de infraestrutura computacional. O pacote anunciado pelo governo inclui um novo supercomputador para inteligência artificial, estimado em cerca de R$ 1 bilhão, além de outro projeto de supercomputação no Rio de Janeiro em parceria com Huawei e iFlytek, estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos. Esses valores, porém, não são o orçamento da Nuvem Brasileira, cujo investimento ainda não foi divulgado. Por enquanto, portanto, o governo apresentou mais uma direção tecnológica do que um serviço pronto. A próxima etapa será justamente descobrir quanto da infraestrutura necessária pode ser fornecido pela indústria nacional e definir como essa nuvem será construída.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 21/08/2026 19:36