A possibilidade de uma inteligência artificial provocar uma catástrofe capaz de ameaçar a própria humanidade não deve ser descartada, segundo Lila Ibrahim, Chief AI Readiness Officer do Google DeepMind. Para a executiva, porém, há uma diferença importante entre reconhecer esse risco e afirmar que sabemos qual é a probabilidade de ele realmente acontecer. Questionada sobre a possibilidade de extinção causada pela IA, Ibrahim respondeu que o risco “não é zero”. Qualquer tentativa de ir além e atribuir uma porcentagem ao cenário seria, segundo ela, um palpite. A declaração foi dada em entrevista à Fortune e repercutida pelo TecMundo.
A posição coloca Ibrahim em um ponto menos categórico de um debate que divide pesquisadores e líderes da indústria: ela não afirma que uma catástrofe desse porte seja provável, mas considera irresponsável simplesmente ignorar a possibilidade.
Lila Ibrahim já havia assinado alerta sobre risco de extinção
A preocupação não surgiu agora. Em 2023, Ibrahim esteve entre os signatários de uma declaração do Center for AI Safety que defendia tratar a mitigação do risco de extinção provocado pela IA como uma prioridade global, ao lado de ameaças como pandemias e guerra nuclear. Três anos depois, sua posição permanece semelhante.
O próprio Google DeepMind mantém estruturas voltadas a riscos extremos. A empresa afirma que seu AGI Safety Council trabalha para proteger seus processos, sistemas e pesquisas contra riscos que poderiam surgir de sistemas de inteligência artificial geral muito avançados. Em 2026, a companhia também atualizou seu Frontier Safety Framework, estrutura usada para identificar e mitigar riscos graves associados a modelos de fronteira.
Isso não significa que exista consenso científico sobre a probabilidade de uma IA causar a extinção humana. O debate continua aberto, inclusive sobre quais cenários seriam plausíveis e como quantificar riscos tão incertos.
O problema, para Ibrahim, é ignorar riscos difíceis de prever
Ibrahim relacionou essa incerteza à dificuldade de antecipar ameaças de grande escala. A executiva também argumenta que a indústria de tecnologia deveria ter discutido com mais profundidade as consequências negativas da internet e das redes sociais antes que esses sistemas alcançassem a escala atual. A preocupação, portanto, não está restrita a um cenário distante de superinteligência fora de controle. O Google DeepMind afirma avaliar diferentes categorias de riscos associados a sistemas avançados e defende uma abordagem baseada em evidências para segurança e governança.
Ao mesmo tempo, Ibrahim rejeita previsões muito específicas sobre como a IA transformará a sociedade. Ela discordou, por exemplo, de projeções de Elon Musk sobre um futuro de abundância no qual trabalho e dinheiro perderiam grande parte da importância. Para Ibrahim, a velocidade da evolução tecnológica torna previsões desse tipo pouco confiáveis. Sua proposta é concentrar esforços em aplicações concretas da IA, incluindo pesquisas relacionadas a doenças, clima e redução de resíduos.
A posição resume uma tensão que acompanha o desenvolvimento dos modelos mais avançados: explorar benefícios que já podem ser medidos sem assumir que os riscos mais extremos são impossíveis, nem apresentá-los como um destino inevitável.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 07/08/2026 08:26