A Globo retirou de suas redes sociais uma campanha que utilizava inteligência artificial para misturar apresentadores e atores da emissora com estrelas e personagens de filmes de Hollywood. A decisão ocorreu após a empresa receber uma notificação extrajudicial de um dos estúdios envolvidos nas produções divulgadas pela chamada.
Segundo a coluna Canal D, do jornal O Dia, o material havia reeditado cenas de filmes com inteligência artificial sem aprovação prévia dos estúdios, que exigem ser informados sobre alterações realizadas em suas obras. O nome da empresa responsável pela notificação não foi revelado.
Comercial colocava artistas da Globo em cenas com astros de Hollywood
Batizada de “Missão Hollywood”, a campanha foi criada para divulgar um pacote de aproximadamente 700 filmes que serão exibidos pela Globo.
O vídeo usava inteligência artificial para criar encontros inexistentes entre artistas da emissora e personagens ou atores de grandes produções. Em uma das cenas, Marcos Mion aparecia ligado a Tom Cruise em uma referência a Missão: Impossível. Em outra, Luciano Huck era transformado no Hulk.
A campanha também mostrava Ana Maria Braga e Louro Mané ao lado de Rocket Raccoon, de Guardiões da Galáxia, enquanto Francesca, personagem de Nathalia Dill na novela Quem Ama Cuida, aparecia em uma situação inspirada em Caça-Fantasmas.
Também foram utilizadas representações de artistas como Zendaya, Demi Moore, Daniel Craig, Michelle Yeoh, Chris Hemsworth e Paul Rudd.
Globo retirou vídeo das redes após repercussão
A chamada foi exibida na televisão na quarta-feira (2) e posteriormente publicada nos canais digitais da Globo. As postagens, entretanto, foram removidas das redes sociais da emissora depois da repercussão.
Antes da informação sobre a notificação surgir, o comercial já havia recebido críticas de usuários nas redes sociais. Parte dos comentários questionava tanto o aspecto visual das cenas geradas por IA quanto a possibilidade de utilização das imagens dos artistas sem autorização específica.
Não há, até o momento, informação pública de que os próprios atores retratados tenham tomado medidas contra a Globo.
Direito de exibir um filme não significa liberdade para alterá-lo
O ponto central do caso está na diferença entre obter os direitos de transmissão de uma produção e receber autorização para modificar seu material promocional.
Segundo a apuração do Canal D, os estúdios responsáveis pelas obras exigem aprovação prévia para alterações feitas em suas criações. A chamada da Globo teria sido produzida sem essa aprovação e, por isso, um deles enviou a notificação extrajudicial.
O caso ganha relevância adicional porque ferramentas de IA generativa permitem criar cenas e representações de artistas que nunca foram originalmente filmadas, aumentando a discussão sobre consentimento, direitos de imagem e limites contratuais no uso de produções licenciadas.
A Globo não revelou publicamente qual estúdio enviou a notificação. O vídeo original também permanece fora dos canais oficiais da emissora até o momento.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 05/09/2026 13:54