Resumo rápido!
Olha que situação inusitada: um jogador belga enviou seu monitor quebrado para garantia da iiyama, esperava receber uma unidade de reposição, mas o que chegou na porta dele foram dois monitores novos. E não era pra isso acontecer.
O caso começou de forma normal — monitor quebrado, acionamento de garantia, fabricante aceita. Mas aí a iiyama avisou que o modelo original não tinha mais em estoque e enviaria um upgrade da mesma linha. Até aí, tudo bem. O problema é que a logística aparentemente entregou em dobro.
O próprio usuário relatou no Reddit que ficou surpreso quando abriu a caixa e viu duas unidades idênticas. Ele chegou a comentar que sempre achou esses casos de “recebi produto duplicado” meio suspeitos, mas agora estava vivendo a situação
A lei não deixa você ficar com o extra (mas a empresa pode desistir)
Apesar da tentação de montar um setup dual monitor grátis, a realidade legal é clara tanto na Bélgica quanto no Brasil. A situação se enquadra no conceito jurídico de enriquecimento sem causa, previsto no artigo 884 do Código Civil brasileiro.
A dinâmica funciona assim: quando você recebe mercadoria duplicada por erro de envio (diferente de mercadoria não solicitada), você está temporariamente “enriquecido” sem base legal para isso. O erro é da empresa, mas você tem obrigação de comunicar e colaborar com a devolução. Ficar quieto de propósito pode configurar apropriação indébita.
Porém, há uma diferença crucial: se a empresa envia produto que você nunca pediu (mercadoria não solicitada), o CDC é cristalino no artigo 39, inciso III — você pode considerar como “amostra grátis” e não tem obrigação nenhuma de pagar ou devolver. Mas no caso do monitor belga, ele tinha pedido (via garantia), então não se aplica essa proteção.
Na Europa, as regras são semelhantes: mercadoria não solicitada pode ser mantida sem obrigação de pagamento, mas duplicatas enviadas por erro devem ser reportadas.
O custo de buscar não vale a pena
Esses monitores iiyama G-Master GB2471HSU custam entre 130 e 150 euros na Europa, segundo o Idealo. Ou seja, estamos falando de opções de entrada
Aqui entra a parte prática: mesmo com a obrigação legal do cliente de devolver, a iiyama provavelmente vai calcular que o custo logístico (frete reverso, manuseio, reembalagem, reprocessamento no estoque) ultrapassa os 130 euros do monitor. Nesse caso, a empresa simplesmente autoriza o cliente a ficar com a unidade extra.
Quem é a iiyama?
Se você nunca ouviu falar em iiyama, é normal, a marca praticamente não tem presença no mercado brasileiro. Mas na Europa e Japão, é outra história.
A iiyama foi fundada em 1972 no Japão por um ex-bancário de 23 anos chamado Kazuro Katsuyama. Começou fabricando TVs para a Mitsubishi, depois lançou monitores CRT próprios nos anos 80 e virou líder de mercado no Japão em 1993, com 21% de participação.
Nos anos 90, a empresa se expandiu pesado para Europa e EUA, abrindo escritórios na Alemanha, Holanda, Filadélfia, Reino Unido e outros países. O quartel-general internacional hoje fica na Holanda, registrado como iiyama Benelux B.V
Em 2006, a empresa foi comprada pela holding japonesa MCJ e depois integrada à Mouse Computer Corporation. Apesar da mudança de dono, a marca iiyama se manteve e continua forte no segmento de monitores profissionais e gaming na Europa.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 09/01/2026 13:11