Durante uma apresentação interna transmitida ao vivo para funcionários, um deles abriu o microfone e declarou que se sentia como “o capacho da empresa”. Em seguida, pediu que quem organizava a chamada dissesse a um executivo sênior da Meta que ele “é uma merda”. Um apresentador chegou a cobrir o rosto com as mãos. Segundo a Wired, O funcionário fazia parte do Applied AI, departamento que engenheiros já descrevem como “literalmente o gulag”.
O que é o Applied AI?
Em maio de 2026, a Meta demitiu 8.000 funcionários e realocou outros 7.000 em novos departamentos. O resultado: uma unidade chamada Applied AI com 6.500 pessoas à beira de um motim. Das 7.000 pessoas realocadas, 6.500 foram parar no Applied AI. O trabalho: criar quebra-cabeças e problemas de codificação para treinar modelos de IA. A maioria era engenheiro ou gerente de produto que antes desenvolvia software. E ninguém podia recusar: a escolha era aceitar o novo cargo ou ir embora.
Zuckerberg enviou um memorando interno tentando enquadrar o trabalho como temporário: “O trabalho é fundamental para o avanço dos nossos modelos e permite que pessoas com muito talento contribuam para esses esforços, ao mesmo tempo em que criamos outros cargos nos próximos meses.”
Software de monitoramento e a petição
Ainda durante o período de espera pelos cortes, a Meta instalou um programa chamado Model Capability Initiative (MCI) nos computadores de funcionários nos EUA. O software registra movimentos de mouse, cliques, teclas digitadas e faz capturas de tela periódicas em apps como Gmail, GChat, VSCode e o assistente interno Metamate. O diretor de tecnologia Andrew Bosworth comunicou a instalação com uma frase direta: “Não há opção de recusar.”
Meta vai monitorar teclado e mouse de funcionários para treinar inteligência artificial
Funcionários colaram cartazes de protesto em salas de reunião, banheiros e máquinas de venda automática. Mais de 1.500 assinaram uma petição pedindo o fim do programa. A Meta concedeu uma concessão: pausar a coleta por até 30 minutos de uma vez.
Zuckerberg planeja um hackathon em julho com foco em “inovação em IA”. Os funcionários receberam a notícia com frieza, muitos não têm tempo por conta da carga maior de trabalho, e o evento não conta para as avaliações de desempenho.
Enquanto promove demissões, Meta amplia gastos em IA
No primeiro trimestre de 2026, a Meta perdeu 20 milhões de usuários ativos diários. A empresa atribui a queda a bloqueios ao WhatsApp na Rússia e interrupções de internet no Irã. Ao mesmo tempo, elevou a projeção de investimentos para entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026, US$ 10 bilhões a mais do que a previsão anterior.
Os gastos em infraestrutura de IA em 2025 foram de US$ 72,2 bilhões. Em abril de 2026, a Meta fechou contrato de US$ 21 bilhões com a CoreWeave para computação em nuvem, somado a um acordo anterior de US$ 14,2 bilhões firmado em setembro de 2025. O corte de 8.000 funcionários foi justificado pela diretora de RH Janelle Gale como parte do esforço para “administrar a empresa de forma mais eficiente e compensar outros investimentos.
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