Negócios na internet dependem dos sites de busca, disso não tenha dúvida. Poucos sites conseguem se manter a médio e longo prazo dependendo exclusivamente de seus usuários fiéis, sem contar com o imenso tráfego gratuito gerado por buscadores como Google, Yahoo e Bing. Agora o que acha de um concorrente ter o poder de remover o teu site das buscas quando quiser?
Isso foi possível por um tempo com as ferramenas do Google para webmasters (Google Webmaster Tools). Entre umas série de coisas relacionadas à admnistração do seu site no índice do Google, o serviço online permite remover um site do buscador (embora uma remoção efetiva depende do robots.txt). Para isso, além de estar logado no sistema, é necessário já ter confirmado um dia a propriedade do site. Isso normlamente é feito colocando um arquivo HTML com um texto específico no servidor, uma meta tag na index ou criando uma entrada de DNS.
Até aí tudo bem, seria o procedimento normal. Mas uma falha permitia mandar remover qualquer outra URL, mesmo que não estivesse na sua conta. É algo tão bobo, ainda mais vindo do Google: bastava alterar um parâmetro na URL da página de remoção:
https://www.google.com/webmasters/tools/removals-request?hl=en&siteUrl=https://{SUA_URL}/&urlt={URL_A_BLOQUEAR}
A falha foi divulgada por James Breckenridge. Não se sabe há quanto tempo ela estava disponível, algumas pessoas devem ter percebido antes e talvez aproveitado, afinal é fácil subir uma ou duas posições nas SERPs removendo seus concorrentes às forças. Entre os sites que reportaram o problema está o Search Engine Land, grande referência para quem lida com SEO. A divulgação da falha fez com que o Google removesse a opção de remoção de URL temporariamente para investigar o problema.
Pode ser que alguma punição seja aplicada para quem usou isso indevidamente, afinal é necessário estar logado. Mas espertinhos devem ter usado outras contas, criadas especialmente para isso, dificultando o trabalho dos funcionários do Google. Seja como for, dá pra ver que até os grandes cometem erros tão toscos.
Pelo visto tem gente lá que precisa melhorar os códigos desenvolvidos e parar de testar apenas com ferramentas automatizadas 😛
Atualização: o Search Engine Land recebeu uma resposta do Google confirmando o problema. O representante comentou que a ferramenta mantém logs das remoções, então irão reprocessar os pedidos de remoção anteriores para certificar-se da validade deles. Numa análise inicial o impacto foi limitado, mas não falaram quantas URLs foram afetadas, nem desde quando a falha estava presente.