Os Estados Unidos deram mais um passo importante em sua luta tecnológica contra a China. A FCC, autoridade de comunicações dos EUA, concluiu um leilão de espectro sem fio que arrecadou mais de US$ 3,5 bilhões. O dinheiro será usado principalmente para substituir equipamentos da Huawei e da ZTE nas redes de telecomunicações americanas.
O leilão se chama Leilão 113 e era referente ao espectro AWS-3, que são frequências sem fio que podem ser usadas para serviços móveis e 5G. Não tem nada a ver com a Amazon Web Services, mesmo que a sigla possa ser enganosa. Estamos falando de espectro de rádio, um dos recursos mais importantes para as operadoras de telecomunicações.
Um total de 200 licenças foram colocadas em leilão, com o valor final chegando a cerca de US$ 3,57 bilhões. Até US$ 3,3 bilhões serão destinados ao programa conhecido informalmente como “Rip and Replace” (Remover e Substituir), por meio do qual as operadoras americanas são obrigadas a remover equipamentos considerados de risco de suas redes. Os principais alvos são a Huawei e a ZTE, empresas chinesas acusadas pelas autoridades americanas de representarem um risco potencial à segurança nacional.
O programa não é novo. Em 2019, o Congresso dos EUA solicitou à FCC que obrigasse as operadoras que recebem subsídios federais a abandonar os equipamentos de telecomunicações chineses. O problema, no entanto, era o custo. A FCC estimou que uma substituição completa custaria quase US$ 5 bilhões, mas o financiamento inicialmente aprovado pelo Congresso foi de apenas US$ 1,9 bilhão.
Daí a importância deste leilão, basicamente, os EUA estão transformando parte do seu espectro de radiofrequência não utilizado em uma fonte de financiamento para garantir a infraestrutura de telecomunicações. É uma medida que libera frequências úteis para o 5G e gera recursos para remover equipamentos chineses das redes.
A situação é especialmente crítica para operadoras pequenas e regionais. Muitas delas utilizavam equipamentos da Huawei ou da ZTE por serem mais baratos, e a substituição não acontece da noite para o dia. Há custos elevados, problemas de fornecimento, licenças, falta de pessoal e atrasos em campo. A FCC afirma que apenas 42% dos beneficiários de financiamento concluíram até o momento o processo de substituição e remoção dos equipamentos afetados.