A abertura do iPhone para lojas de aplicativos concorrentes ganhou um novo capítulo no Brasil. A Epic Games acusa a Apple de criar obstáculos que tornam a instalação dessas lojas desnecessariamente complicada: atualmente, o usuário precisa passar por nove etapas para concluir o processo. A discussão chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que havia dado até o fim desta segunda-feira (24) para a Apple apresentar explicações sobre as reclamações.
O ponto central é saber se a Apple está apenas adotando medidas de segurança ou se o processo cria barreiras capazes de reduzir, na prática, a concorrência com a App Store.
Epic diz que nove etapas desestimulam usuários
A Epic Games Store foi lançada para iPhones no Brasil em 30 de julho, inicialmente oferecendo jogos da própria empresa, incluindo Fortnite e Rocket League Sideswipe. Para instalar uma loja alternativa, porém, não basta tocar em um botão como acontece com aplicativos distribuídos pela App Store. Segundo a Epic, o fluxo definido pela Apple exige nove etapas e inclui telas adicionais de confirmação.
A empresa argumenta que esse atrito pode levar usuários a desistirem no meio do caminho. Como comparação, a Epic cita sua experiência na União Europeia: depois que o processo de instalação caiu de 15 para seis etapas, a companhia afirma ter registrado uma redução de 60% na taxa de abandono durante tentativas de instalar a Epic Games Store. O número é da própria Epic e não representa uma medição independente.
A companhia também critica taxas cobradas pela Apple e exigências impostas aos desenvolvedores que utilizam distribuição alternativa.
Apple diz que barreiras ajudam a proteger o iPhone
A Apple apresenta outra justificativa para os controles. A empresa afirma que a instalação de aplicativos fora da App Store cria novos riscos de malware, golpes, fraudes e problemas de privacidade.
Por isso, lojas alternativas precisam receber autorização da Apple. Os aplicativos distribuídos por elas também passam por um processo de autenticação que combina verificações automatizadas e análise humana para identificar ameaças conhecidas. Essa avaliação, porém, é menos abrangente que a revisão aplicada aos aplicativos publicados na App Store. A distribuição alternativa está disponível no Brasil a partir das versões compatíveis do iOS, e as lojas podem ser instaladas diretamente pelos sites de seus desenvolvedores.
Cade terá de avaliar se processo cria barreira à concorrência
A disputa ocorre meses depois do acordo que obrigou a Apple a permitir novas formas de distribuição de aplicativos e pagamentos no iOS brasileiro.
A Epic não questiona apenas a existência das nove etapas: sua acusação é que a Apple estaria cumprindo formalmente a abertura do sistema enquanto utiliza requisitos técnicos e comerciais para tornar as alternativas menos atraentes. Isso ainda é uma alegação da Epic, e não uma conclusão do Cade. A resposta da Apple e a avaliação do órgão serão importantes para determinar se o processo atual poderá continuar como está ou se a companhia terá de simplificar a instalação de lojas concorrentes no iPhone.