30% dos funcionários substituídos por IA terão de ser recontratados até 2029, prevê Gartner

Gartner prevê que 30% dos trabalhadores demitidos por substituição por IA poderão ser recontratados até 2029, com custos maiores para as empresas.

A economia conseguida ao trocar funcionários por inteligência artificial pode durar menos do que algumas empresas esperam. A Gartner prevê que, até 2029, 30% dos trabalhadores demitidos por terem sido substituídos por IA precisarão ser recontratados, muitas vezes por um custo significativamente maior.

A projeção coloca em dúvida uma das estratégias mais agressivas de adoção da IA: usar os ganhos de produtividade principalmente para reduzir equipes. Segundo a consultoria, cortes podem melhorar as contas no curto prazo, mas também eliminam conhecimento acumulado dentro das empresas e enfraquecem a formação de novos profissionais.

O problema aparece quando essas habilidades voltam a ser necessárias.

Recontratar funcionários pode sair mais caro

A Gartner argumenta que o crescimento da força de trabalho está estagnado ou diminuindo em diferentes partes do mundo. Nesse cenário, empresas que eliminarem determinadas funções poderão descobrir posteriormente que precisam novamente daqueles profissionais, só que em um mercado mais disputado.

Além de salários potencialmente maiores, será necessário assumir outra vez despesas com recrutamento, treinamento e integração de funcionários. A perda de profissionais em início de carreira também pode comprometer a formação interna de pessoas capazes de assumir posições mais especializadas no futuro.

A situação é descrita como uma espécie de “botão de desfazer” caro para as demissões motivadas por IA. A publicação destaca o alerta da Gartner de que cortar pessoal cedo demais pode prejudicar a capacidade das empresas de inovar e competir conforme a tecnologia evolui.

Em vez de automatizar cada tarefa possível, a consultoria recomenda que organizações utilizem a IA para redesenhar funções e deslocar funcionários de atividades menos produtivas para trabalhos de maior valor.

Empresas focadas apenas em cortar custos podem ficar para trás

Outra previsão da Gartner reforça esse argumento. Até 2027, a consultoria estima que 75% das organizações que priorizarem transformar ganhos de produtividade proporcionados pela IA em economia de custos serão superadas por concorrentes que reinvestirem esses ganhos em inovação, modernização e capacitação dos funcionários.

A diferença está entre usar a IA como substituta direta de pessoas e empregá-la para aumentar o que as equipes conseguem produzir.

Há sinais semelhantes em outras pesquisas da própria Gartner. Em maio, a empresa afirmou que aproximadamente 80% das organizações pesquisadas que estavam testando ou utilizando tecnologias de negócios autônomos haviam reduzido suas equipes. Os cortes, porém, não apresentaram uma relação clara com retornos maiores sobre os investimentos realizados.

O alerta está na estratégia: cortar pessoas pode produzir uma economia imediata, mas empresas que eliminarem conhecimento e capacidade humana antes de saber exatamente quais tarefas a IA conseguirá assumir podem acabar pagando mais para recuperar aquilo que decidiram dispensar.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @williamrplaza Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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