DoomPaint: Mark Russinovich roda Doom dentro do MS Paint a até 35 FPS

DoomPaint é o nome do projeto mais improvável lançado por um CTO de big tech nos últimos tempos: Mark Russinovich, o Chief Technology Officer da divisão Azure da Microsoft, usou o MS Paint como monitor de jogo para rodar o Doom original a até 35 FPS. Não é emulação de mentira, não é um renderer customizado com o logo do Paint por cima. É o engine real rodando frames reais, despejados quadro a quadro dentro do canvas do Paint via área de transferência do Windows.

O hack que ninguém pediu, mas todo mundo precisava ver

O mecanismo central é um abuso do protocolo OLE (Object Linking and Embedding) do Windows. O engine utilizado é o ViZDoom, que carrega o arquivo DOOM1.WAD original do shareware e renderiza o jogo de forma headless, ou seja, sem janela própria. Cada frame gerado é colocado na área de transferência do Windows e, na sequência, colado diretamente no canvas do Paint como uma edição legítima do documento. O Paint, nesse cenário, não processa nada do jogo: ele é pura e simplesmente o viewport.

Para os episódios que o WAD do shareware não cobre, o projeto usa os WADs do Freedoom, distribuídos sob licença BSD. O resultado roda a resoluções de 320×200 ou 640×400 pixels, com suporte a som e música. Russinovich admite na página do projeto no GitHub que a taxa de quadros pode oscilar entre o razoável e o que ele mesmo classificou como “spreadsheet-tier”, mas defende que os 35 FPS possíveis “fazem parte do charme” da coisa, especialmente quando a régua de comparação é o hardware da década de 1990.

O CTO também deixou uma observação filosófica no final do arquivo README, sem meias palavras: “O Paint renderiza o jogo, mas não o processa. O Paint não faz nenhum processamento. O Paint nunca processou nada. Essa é a piada.” O projeto é distribuído sob licença MIT e todos os arquivos e instruções para rodar o DoomPaint estão disponíveis no repositório do GitHub.

Quem tem tempo para isso sendo CTO da Azure?

A pergunta é legítima. Russinovich está na Microsoft desde 2006, quando integrou a empresa junto com a aquisição do Sysinternals, conjunto de ferramentas que ele mesmo desenvolveu e que até hoje forma a espinha dorsal do diagnóstico do Windows. Na Azure, ele foi peça central na construção da arquitetura, segurança e confiabilidade da plataforma. Mais recentemente, assumiu um papel público na discussão sobre os problemas estruturais do Windows 11, tornando-se uma das vozes mais diretas dentro da empresa sobre o peso do código legado que ainda sustenta o sistema operacional.

É um currículo pesado para alguém que passa tempo livre hackeando o clipboard do Windows para servir frames de Doom numa tela do Paint. Mas qualquer entusiasta veterano sabe que o perfil “CTO de empresa bilionária que ainda programa por diversão” não é tão raro quanto parece, especialmente quando a pessoa vem da cultura de ferramentas e utilitários que o Sysinternals representa.

Fonte: Tom’s Hardware

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 03/08/2026 12:19