Setor de tecnologia ultrapassa 152 mil demissões em 2026 e IA aparece como motivo em 60% dos cortes

O setor de tecnologia eliminou 152.808 postos de trabalho em 2026 até o momento, segundo o rastreador TrueUp, que contabiliza 397 eventos de layoff. A média chegou a 910 pessoas por dia, um ritmo 44% mais acelerado do que o registrado no mesmo período de 2025. A inteligência artificial aparece como justificativa em mais de 60% de todos os anúncios de demissão do setor, segundo análise da TradingPlatforms. A Challenger, Gray & Christmas, firma especializada em rastreamento de cortes corporativos, confirmou a IA como motivo líder de demissões nos EUA por três meses consecutivos.

Se o ritmo atual se mantiver no segundo semestre, o total de trabalhadores demitidos pode ultrapassar 320 mil até dezembro.

IA como principal motivo de demissões

Nos anos anteriores, as empresas justificavam cortes com inflação, demanda fraca ou incerteza econômica. Em 2026, a IA ganhou a posição de argumento central. Segundo a TradingPlatforms, a IA esteve ligada a aproximadamente 85 mil dos empregos cortados, o equivalente a 61% de todas as demissões anunciadas no setor. As empresas descrevem o movimento como reorganização de processos, automação e adoção de ferramentas de IA em operações antes feitas por pessoas.

Oracle lidera o ranking

A Oracle executou o maior corte individual de 2026: entre 20 mil e 30 mil funcionários, o que representa até 18% de seu quadro global de 162 mil pessoas, segundo estimativa da TD Cowen. A empresa não confirmou o número oficial, mas os cortes foram rastreados em tempo real por funcionários no Reddit e na plataforma Blind, afetando times de Revenue, Health Sciences, SaaS e Virtual Operations Services. O motivo declarado: financiar uma expansão de data centers de IA estimada em US$ 156 bilhões. A Oracle registrou alta de 95% no lucro líquido no trimestre anterior, de US$ 6,13 bilhões.

A Amazon eliminou 16 mil cargos em janeiro, parte de uma meta de cortar 30 mil posições corporativas. A Cognizant planeja entre 12 mil e 15 mil demissões globais, com impacto maior na Índia. A Meta cortou 8 mil funcionários em maio, cerca de 10% de seu quadro.

Empresas americanas respondem por aproximadamente 116 mil das demissões, mais de 80% do total global registrado no setor.

Analistas apontam que, embora muitas empresas apresentem a IA como razão principal, decisões de gestão voltadas para eficiência e redução de custos também impulsionam os cortes.

O funcionário da Meta que expôs caos causado pela IA

Durante uma apresentação interna transmitida ao vivo para funcionários, um deles abriu o microfone e declarou que se sentia como “o capacho da empresa”. Em seguida, pediu que quem organizava a chamada dissesse a um executivo sênior da Meta que ele “é uma merda”. Um apresentador cobriu o rosto com as mãos. Segundo a Wired, o funcionário fazia parte do Applied AI, departamento que engenheiros já descrevem como “literalmente o gulag”.

Em abril de 2026, a Meta anunciou a demissão de 8 mil funcionários e o encerramento de 6 mil vagas abertas. Em maio, iniciou os desligamentos e realocou outros 7 mil para novos departamentos. Das 7 mil pessoas realocadas, 6.500 foram para o Applied AI. O trabalho: criar quebra-cabeças e problemas de codificação para treinar modelos de IA. A maioria era engenheira ou gerente de produto que antes desenvolvia software. Recusar significava ir embora.

Mark Zuckerberg enviou um memorando interno enquadrando o trabalho como temporário: “O trabalho é fundamental para o avanço dos nossos modelos e permite que pessoas com muito talento contribuam para esses esforços, ao mesmo tempo em que criamos outros cargos nos próximos meses.”.

No primeiro trimestre de 2026, a Meta perdeu 20 milhões de usuários ativos diários. A empresa atribuiu a queda a bloqueios ao WhatsApp na Rússia e interrupções de internet no Irã. A projeção de investimentos para 2026 subiu para entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, US$ 10 bilhões a mais que a previsão anterior. Em abril, a Meta fechou contrato de US$ 21 bilhões com a CoreWeave para computação em nuvem, somado a um acordo anterior de US$ 14,2 bilhões firmado em setembro de 2025. Os 8 mil cortes foram justificados pela diretora de RH Janelle Gale como parte do esforço para “administrar a empresa de forma mais eficiente e compensar outros investimentos”.

A mudança de comportamento em meio ao temor do avanço da IA

O avanço da IA e as demissões mudaram o comportamento de quem ficou. Uma pesquisa da Resume.io com 3.000 profissionais mostra que trabalhadores dedicam em média 2 horas e 24 minutos a mais por semana, o equivalente a 125 horas extras anuais. O movimento é uma tentativa de se manter visível em um ambiente crescentemente automatizado.

Nos escritórios e no trabalho remoto, os padrões se repetem: mensagens respondidas fora do expediente, pausas mais curtas e tarefas adicionais sem registro formal no contrato. Para 55% dos entrevistados pela Resume.io, o horário de almoço encolheu no último ano. Outros 67% admitem o chamado “teatro da produtividade”: manter o status online, alongar pequenas tarefas e reagir a cada notificação como se fosse urgente

Entre os entrevistados, 34% acreditam que perderão o emprego diretamente para a IA; 30% temem uma substituição gradual; e 20% receiam que a automação sirva de justificativa para aumentar a cobrança de metas. Um em cada sete participantes declarou preocupação com a própria defasagem técnica diante de colegas mais adaptados às novas ferramentas.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 21/06/2026 13:01

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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