Um caso curioso de um app pago para Android que virou gratuito: Dead Trigger. Motivo: a pirataria. Normalmente é muito fácil piratear aplicativos do Android, bastando extrair o apk correspondente e mandá-lo para outro dispositivo. Em alguns casos apps fakes ou alterados vão até mesmo para a loja oficial do Google Play, algo comum até alguns meses atrás para distribuir malware.
A plataforma ficou um pouco mais segura contra malwares que tentavam ser distribuídos na loja oficial, mas o problema da redistribuição não autorizada de apps está longe de ser solucionado, independente de serem malware ou legítimos.
O Dead Trigger custava apenas US$ 0,99, mas a quantidade de usuários de versões piratas foi tanta que fez os produtores repensarem o preço. Decidiram logo torná-lo gratuito e acabar com o problema – pelo menos no Android, já que o mesmo também tem versão para iOS. Do comunicado emitido pelos produtores:
“Sobre ao corte no preço. Aqui está nosso pronunciamento. O motivo principal: a taxa de pirataria nos dispositivos Android, que é inacreditavelmente alta. Em primeiro lugar tínhamos a intenção de tornar o jogo disponível para o máximo de pessoas possível – e por isso ele era barato. Foi bem menos do que os $8 do SHADOWGUN, mas por outro lado não ousamos distribui-lo de graça, já que não tínhamos experiência com o formato free-to-play. No entanto, mesmo por um dólar, a taxa de pirataria é tãaao alta que decidimos finalmente liberar o DEAD TRIGGER de graça. Enfim – DEAD TRIGGER não é FREEMIUM, ele foi e sempre será FREE-TO-PLAY, ou seja, todos os jogadores poderão jogá-lo sem IAP! [In-app purchases, compras dentro do app]. Nos comprometemos com esta declaração porque todos os membros do nosso time estão jogando (e curtindo) o DEAD TRIGGER sem IAP.”
Observando outros casos de fracassos ao tentar vender apps no Android vê-se que boa parte dos usuários têm um perfil bem diferente dos da plataforma da Apple. Uma série de fatores leva a isso, incluindo o histórico da plataforma e público alvo (aparelhos com custo elevado voltados ao nicho da marca, caso da Apple) e as limitações do sistema. No Android qualquer um pode baixar um .apk e sair aproveitando o aplicativo (basta alterar uma opção permitindo a execução de fontes desconhecidas). Já no iOS é bem mais difícil instalar apps de fora da loja oficial.
O conceito aberto do Android parece não ser muito saudável para os produtores de conteúdo pago, já que muita gente quer tudo de graça, levando para os smartphones o mesmo espírito de muitos usuários de PCs com Windows.
Com o Jelly Bean o Android passa a oferecer suporte a apps criptografados, com uma chave específica para o dispositivo no qual for adquirido. Isso deve complicar bastante a vida de quem compartilha os apks livremente (pelo menos dos apps que utilizarem esse recurso).
Por fim, esta é uma medida de médio e longo prazo para o Android. A maldita fragmentação da plataforma tornará esse recurso distante de quase todos os usuários atuais. Só para ter ideia, o Ice Cream Sandwich conseguiu cerca de 10% dos usuários do Android apenas depois de uns 8 meses de lançado. E boa parte destes usuários são de aparelhos novos, que já vêm com ele. Na grande maioria dos casos para modelos populares não é difícil ver aparelhos saindo da loja com Android 2.2 ou 2.3, e que nunca receberão atualizações oficiais pelos seus fabricantes. Depender de atualizações do Android para corrigir problemas sérios na plataforma (como a pirataria) realmente não dá.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 24/07/2012 20:28