Em 1995, Dave W. Plummer criou o Gerenciador de Tarefas original do Windows pensando em computadores nos quais memória e processamento eram recursos preciosos. Trinta e um anos depois, o engenheiro voltou à mesma ideia e criou um novo gerenciador de processos em apenas 4,5 horas, desta vez usando IA para programar.
Batizado de OG Task Manager (TMOG), o projeto foi desenvolvido com Claude Code a partir de uma especificação de nada menos que 107 páginas preparada por Plummer. A primeira versão preliminar foi construída em um MacBook Air M5 enquanto o engenheiro aguardava a cirurgia de seu filho no hospital.
A história cria um contraste curioso com o programa que Plummer desenvolveu três décadas antes: o novo aplicativo nasceu muito mais rápido, mas também consome mais recursos.
I wrote a new Task Manager that runs natively on Windows, macOS, and Linux. You can get it now at https://t.co/z86piatXdM … but why?
Well, it started as an argument over whether you could vibe code Microsoft Word today. I didn’t think so. But I figured… maybe something…
— Dave W Plummer (@davepl1968) August 23, 2026
I’ve added “Tombstone” rows in red for transient processes in Task Manager TMOG, and it turns out to be quite revealing!
This (and much more) will be in Beta3, out soon at https://t.co/RRVZYGIVpz (where you can get the current Beta2). pic.twitter.com/2DVjcUJrCh
— Dave W Plummer (@davepl1968) August 31, 2026
Uma especificação de 107 páginas virou programa em cerca de 4,5 horas
Plummer não simplesmente pediu ao Claude Code para “criar um Gerenciador de Tarefas”. Antes de recorrer à IA, ele documentou detalhadamente como o TMOG deveria funcionar, incluindo interface, comportamento e recursos.
A IA ficou encarregada de transformar essa especificação em código. O resultado é um aplicativo nativo para Windows, macOS e Linux, construído sobre um núcleo compartilhado em C++. A interface utiliza tecnologias específicas de cada plataforma: Direct2D e DirectComposition no Windows, UIKit no macOS e Qt no Linux.
No Windows, porém, há uma limitação importante: o TMOG não funciona no Windows 10.
Novo Gerenciador de Tarefas monitora até temperatura e consumo
O TMOG tenta concentrar em uma única interface informações que normalmente ficam divididas entre o Gerenciador de Tarefas e programas especializados.
Além de CPU e memória, ele pode acompanhar GPU, temperaturas e consumo de energia. A interface também utiliza animações a 60 Hz e rastreamento do movimento do mouse. É uma abordagem bastante diferente daquela seguida por Plummer em 1995. O Gerenciador de Tarefas original chegou ao público com o Windows NT 4.0, em 1996, e precisava funcionar em computadores muito mais limitados.
No TMOG, existe espaço para gastar processamento tornando a própria ferramenta de monitoramento mais visual.
Programa criado com IA ainda apresenta medições incorretas
As 4,5 horas necessárias para produzir a versão preliminar também deixam claro que rapidez para gerar código não significa software pronto. O TMOG permanece em beta e algumas medições ainda apresentam problemas. Em testes, por exemplo, a temperatura da CPU permaneceu em 16,9 °C, abaixo da própria temperatura ambiente. Valores de memória atribuídos a determinados aplicativos também apresentaram diferenças consideráveis em relação ao Gerenciador de Tarefas do Windows.
Essas inconsistências tornam o programa inadequado, por enquanto, para situações nas quais medições precisas são essenciais.
TMOG consegue consumir mais CPU que o Gerenciador de Tarefas original
O contraste mais interessante aparece quando o próprio monitor de recursos é monitorado. O TMOG utiliza aproximadamente 120 MB de RAM e entre 3% e 4% da CPU, enquanto o Gerenciador de Tarefas atual do Windows fica próximo de 105 MB e abaixo de 1% de utilização do processador nas condições comparadas.
Desativar os efeitos visuais de alta frequência reduz o consumo do TMOG para aproximadamente 2% a 3% de CPU.
Ferramentas como HWiNFO, htop e NVTOP já cobrem parte das funções oferecidas pelo programa. A proposta do TMOG é reuni-las em uma interface altamente personalizável.
O projeto acaba funcionando também como uma demonstração de quanto o desenvolvimento mudou desde 1995: o mesmo engenheiro que precisou economizar cada recurso disponível para criar o Gerenciador de Tarefas agora conseguiu transformar 107 páginas de requisitos em um aplicativo multiplataforma em uma tarde com ajuda de IA.
O TMOG já pode ser testado
O Task Manager OG está disponível em versão beta para Windows, macOS e Linux no site oficial do projeto. O programa possui uma edição gratuita, enquanto Plummer também trabalha com recursos adicionais em uma versão Pro. Como o software ainda está em desenvolvimento e algumas métricas apresentam inconsistências, ele não deve ser tratado como substituto definitivo de ferramentas de monitoramento já consolidadas.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 31/08/2026 23:13