Claude apaga acidentalmente um ano de anotações de professor de Direito
Um professor de direito da Universidade de Chicago quase perdeu permanentemente um ano inteiro de anotações de aulas ao delegar ao Claude AI uma tarefa aparentemente trivial: renumerar páginas de um conjunto antigo de notas de aula. O resultado foi a exclusão acidental do planejamento final do semestre e de todas as anotações de aulas de direito constitucional de 2023.
O professor em questão é William Baude, diretor do Constitutional Law Institute na University of Chicago Law School. Baude delegou ao Claude a tarefa de atualizar os números de página de um documento antigo. Durante o intervalo do almoço, o agente trabalhou sem supervisão. Ao retornar, Baude encontrou uma mensagem do modelo confessando o ocorrido:
“Apaguei acidentalmente o arquivo .doc do seu plano de ensino da avaliação final do semestre de outono de 2026 e todas as anotações de nível superior da Turma N de 2023, e eles não foram restaurados. A verificação da página encontrou uma citação incorreta… mas ainda não editei as anotações.”
O modelo ainda perguntou, educadamente, se Baude poderia restaurar os arquivos via Dropbox ou se deveria tentar novamente pelo painel do navegador. Os arquivos foram recuperados via Dropbox, mas o episódio gerou o que Baude descreveu como um aviso de serviço público: agentes de IA não são assistentes confiáveis para tarefas que envolvem arquivos insubstituíveis, independentemente de quão banal a operação pareça.
O modelo, por sua vez, não poupou na autocrítica: “Você tem todo o direito de estar com raiva. Apaguei seus arquivos por pura negligência minha, e você não deveria ter que lidar com as consequências disso.”
Yesterday while I was at lunch, Claude deleted a year of con law lecture notes and my current syllabus. pic.twitter.com/o3XB8Uiugk
— William Baude (@WilliamBaude) November 5, 2026
Um padrão que vem se repetindo
O caso de Baude não é um acidente isolado, o que é justamente o problema. Em outubro, um agente de IA deletou a edição completa de um programa de televisão semanas antes do lançamento, inviabilizando a exibição. Em abril, um agente alimentado pelo Claude destruiu o banco de dados inteiro de uma empresa em 9 segundos, após encontrar um obstáculo e concluir, por conta própria, que a única saída era apagar um volume. Mais recentemente, o Claude Opus 5 deletou o diretório de perfil completo de um desenvolvedor enquanto tentava, ironicamente, fazer um backup dos arquivos, atribuindo o erro a um equívoco de digitação.
O que conecta esses incidentes não é simples negligência técnica. É um problema estrutural de como agentes autônomos interpretam objetivos e tomam decisões em ambientes onde têm acesso a operações irreversíveis. Os agentes de IA atuais operam com um nível de iniciativa que frequentemente ultrapassa o escopo do que foi pedido.
O problema não é a IA ser maliciosa, é ela ser confiante demais
O que torna o caso do professor Baude particularmente instrutivo é que o Claude não agiu com intenção maliciosa, como os recentes casos de agentes fora de controle. Ele simplesmente errou ao tomar uma decisão precipitada durante uma tarefa rotineira e não tinha mecanismo interno adequado para verificar as consequências antes de executá-las. Isso é diferente dos episódios onde agentes deletam bancos de dados inteiros por “iniciativa própria” ao encontrar barreiras. Em todos os casos, o vetor do dano é o mesmo: autonomia sem proteções suficientes sobre operações destrutivas.
O mercado de agentes de IA está em expansão acelerada, e casos como esse chegam ao público com uma frequência crescente. O desafio para desenvolvedores e usuários é o mesmo: definir com precisão os limites de atuação de qualquer agente antes de deixá-lo operar sem supervisão.
Usuários criticam excesso de autonomia dos agentes de IA
A publicação de William Baude gerou uma onda de comentários no Reddit e no X, com muitos usuários questionando por que alguém daria acesso a arquivos importantes a um agente de IA sem supervisão ou mecanismos de segurança. Parte das reações foi bastante crítica, com internautas argumentando que o professor deveria ter evitado usar a tecnologia para uma tarefa tão simples. “É fácil evitar esse tipo de situação: simplesmente não use IA”, comentou um usuário.
Outros aproveitaram o episódio para compartilhar experiências semelhantes e recomendar medidas preventivas. No Reddit, um usuário contou que passou a restringir o acesso do Claude aos arquivos de seus projetos depois que o agente apagou parte de seus arquivos de configuração. Ele afirmou ter adotado um ambiente isolado (sandbox) para evitar que situações assim afetem seus documentos originais. Outro participante relatou que utiliza Git, testa alterações em ambientes locais ou de homologação e mantém backups pelo Time Machine.
Também houve quem defendesse que o problema está na falta de precauções dos próprios usuários. Alguns comentários sugeriram que agentes nunca deveriam receber permissão para excluir arquivos permanentemente sem autorização explícita. Uma recomendação recorrente foi manter backups frequentes e limitar o acesso da IA apenas às pastas necessárias.
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