Atom nos tablets: ‘os designs não são bons o bastante e a Intel sabe disso’

Quando uma empresa do tamanho da Intel resolve tentar abocanhar um pedaço do mercado no qual sua empresa compete, você teria motivos de sobra para se preocupar, certo?

Bem, pelo que deu a entender em uma entrevista ao Financial Times, Warren East, atual CEO da ARM Inc., não parece estar muito preocupado.

Segundo ele, o mercado de tablets pode crescer para até 60 milhões de unidades no próximo ano, sem contar as vendas do iPad, que já se aproxima desse número. Este número é consistente com as projeções do IDC, e parecem ter tudo para se realizarem, considerando o grande interesse em torno deles, o lançamento de um grande número de modelos agendados para o final do ano e a disponibilidade de tablets incrivelmente baratos baseados em chips ARM, vindos daquele país onde a mão de obra é barata.

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A Intel também está convencida de que os tablets são uma classe em ascensão e está iniciando uma ofensiva em direção ao setor, com versões de baixo consumo do Atom e uma massiva companha de PR junto aos fabricantes, com Paul Otellini, atual CEO da empresa declarando que a Intel utilizará todos os seus recursos na batalha.

Com tanto dinheiro envolvido, é de se esperar que a Intel obtenha algum sucesso na empreitada, já que afinal o Atom já domina os netbooks, que são parentes distantes dos tablets. Porém, segundo Warren East isso não será suficiente para vender a guerra: “os designs baseados no Atom simplesmente não são bons o suficiente em termos de consumo de energia e a Intel sabe disso”.

De fato, os chips ARM continuam com uma grande liderança em termos de consumo elétrico e dissipação térmica, que são um fator essencial no caso dos tablets. O fato de o Atom rodar instruções x86 é na verdade uma desvantagem no caso dos tablets, já que os fabricantes já estão acostumados a trabalharem sobre a versão ARM do Android.

Naturalmente, o Atom será um mal necessário para os fabricantes interessados em lançarem tablets com o Windows 7, mas eles devem ficar restritos a nichos, pois os requisitos mais elevados do sistema o tornam utilizável apenas nos modelos maiores e mais caros.

Mesmo antes do Android ganhar a chancela oficial do Google para uso em tablets, alguns tablets chineses baseados em SoCs ARM já estão conseguindo superar os netbooks com chips Atom em diversas áreas. Na análise de ontem, mostrei um tablet chinês de 169 dólares que é capaz de exibir vídeos MKV de 720p e 1080p, com direito a saída HDMI para ser ligado em uma HDTV.

A Intel definitivamente precisará correr atrás do prejuízo dessa vez.

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