Você já ouviu falar da AMD FirePro S10000? Provavelmente não. Lançada em 2012 como carro-chefe da linha profissional da AMD, essa placa custava mais de US$ 3.000 e era voltada para estações de trabalho pesadas, renderização 3D, simulações científicas, aquele tipo de coisa que exige GPU bruta mas não se importa com texturas de jogo.
Só que alguém teve a ideia brilhante de comprar uma usada em 2025 e tentar rodar jogos modernos nela. O resultado? Uma mistura de nostalgia técnica, gambiarra avançada e um lembrete doloroso de por que a indústria abandonou GPUs duplas.
AMD FirePro S10000
A FirePro S10000 trazia duas GPUs Tahiti completas na mesma placa, a mesma arquitetura da Radeon HD 7950, só que com foco em precisão de cálculo e não em desempenho de jogo. Cada chip tinha 1.792 núcleos de shader, 112 TMUs, 32 ROPs e 3 GB de GDDR5 conectados por interface de 384 bits. No papel, era quase uma HD 7990 (a versão gamer dual-GPU da AMD), mas com alguns núcleos desativados para estabilidade em cargas profissionais.
O detalhe curioso? O canal RandomGaminginHD descobriu que a placa dele tinha um adesivo “S10000” colado por cima de um badge “W9000 X2”. Aparentemente, a AMD mudou o nome do produto pouco antes do lançamento. Até o Windows reconhecia a placa com dois nomes diferentes no GPU-Z.
A gambiarra necessária para fazer isso funcionar
Não foi só plugar e sair jogando. A S10000 oficialmente só suporta drivers FirePro até a versão 17.4, que não tem otimizações para jogos modernos e, pior, não ativa o Crossfire, o sistema que permite que as duas GPUs trabalhem juntas. Resultado: metade da placa ficava ociosa em qualquer jogo.
A solução? Flash de BIOS. O YouTuber gravou o firmware de uma Radeon HD 7990 na S10000, fazendo o Windows 10 acreditar que aquilo era uma placa gamer. Com isso, foi possível instalar os drivers Adrenalin 22.6.1, de 2022, que habilitam Crossfire em títulos antigos que ainda suportam multi-GPU.
E aí sim as coisas ficaram interessantes.
Jogos antigos: a era de ouro das GPUs duplas
Com Crossfire ativo, a S10000 mostrou do que era capaz. Crysis rodou acima de 110 FPS na maior parte do tempo, com ambas as GPUs em 65% de uso. Mafia 2 foi ainda melhor: os dois chips ficaram acima de 90% de carga o tempo todo, entregando desempenho fluido.
GTA V e Crysis 3 também rodaram bem, mas nada que uma HD 7970 única não entregasse. O ponto é: quando o suporte existe, duas GPUs fazem diferença. O problema é que esse suporte morreu.
Metade da potência
Arc Raiders, Cyberpunk 2077 e CS2 não têm suporte a múltiplas GPUs. Zero. Então a S10000 virou, na prática, uma Radeon HD 7970 com consumo dobrado de energia. E o desempenho reflete isso.
Arc Raiders rodou entre 40 e 45 FPS em 1080p com escala de resolução em 70% e gráficos no mínimo. CS2 se saiu melhor, entregando 120 a 160 FPS dependendo da cena. Já Cyberpunk 2077 foi um desastre: 20 a 30 FPS mesmo com FSR no modo “ultra performance”, que basicamente transforma o jogo em sopa de pixel.
Se a segunda GPU funcionasse, os números seriam outros. Arc Raiders provavelmente bateria 60 FPS, e Cyberpunk ficaria jogável. Mas não funciona. E nunca vai funcionar, porque a indústria desistiu de SLI e Crossfire há anos.
Por que GPUs duplas morreram?
Implementar suporte a múltiplas GPUs exige que desenvolvedores dividam manualmente a carga de renderização entre dois chips, algo que só faz sentido se o ganho de performance justificar o esforço. Na prática, raramente justificava.
Placas modernas de GPU única, como as RTX 4090 ou RX 7900 XTX, entregam mais desempenho que qualquer solução dual-GPU do passado, sem os problemas de microstuttering, consumo absurdo de energia e suporte limitado.
A NVIDIA matou o SLI oficialmente em 2020. AMD parou de falar em Crossfire pouco depois.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 10/12/2025 12:18