A indústria de semicondutores da China registrou um aumento de 12,5% na produção em 2024 em comparação com 2023, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados. Essas sanções restringem o acesso dos fabricantes chineses a equipamentos avançados de litografia ultravioleta extrema (EUV) produzidos pela empresa holandesa ASML. Desde o início de 2024, também foi proibida a aquisição de novas máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV).
O país asiático também vem enfrentando o “abandono” de alguns players importantes na produção de chips, devido a pressão exercida pelos EUA. Tanto a TSMC quanto a Samsung não devem mais fornecer chips de 7nm para a China.
Recuperação da Produção de Semicondutores
Durante grande parte de 2022, a produção de semicondutores na China sofreu uma queda significativa, iniciando sua recuperação apenas no final daquele ano. Em 2023, a indústria apresentou crescimento constante, culminando em um aumento substancial em 2024, especialmente no último trimestre. O país já investe mais em equipamentos de fabricação de chips do que EUA, Taiwan e Coreia do Sul juntas.
Estratégia para reduzir custos
A SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corp), principal fabricante de circuitos integrados da China, possui capacidade para produzir semicondutores de 7 nm e possivelmente de 5 nm, utilizando técnicas como o multiple patterning. No entanto, essa abordagem eleva os custos e reduz a capacidade de produção, indicando que a fabricação em larga escala desses chips ainda é limitada. Consequentemente, a produção em massa tem se concentrado em chips baseados em tecnologias de integração maduras, geralmente de 28 nm ou superiores, amplamente utilizados em dispositivos eletrônicos, eletrodomésticos e automóveis
Fabricantes chineses como Hua Hong Semiconductor, China Resources Microelectronics e Guangzhou ZenSemi estão focados na produção de circuitos integrados de 28 nm ou tecnologias mais maduras. A Beijing Yandong Microelectronics (YDME) anunciou a construção de uma fábrica de US$ 4,6 bilhões dedicada à produção de semicondutores de 28 nm em wafers de 300 mm. Esses investimentos refletem uma estratégia necessária para sustentar a indústria chinesa de circuitos integrados em um momento crítico.
Em busca da autossuficiência
A China tem intensificado seus esforços para alcançar a autossuficiência em semicondutores, aumentando significativamente os investimentos em equipamentos de fabricação de chips. Em 2024, o país registrou um aumento de 29% nos investimentos em equipamentos de fabricação de wafers, totalizando US$ 41 bilhões, representando 40% do total global. Empresas como SMIC e Hua Hong Semiconductor lideram essa expansão, visando reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e fortalecer a indústria doméstica de semicondutores.
Desafios para o futuro
Apesar dos avanços, a China ainda enfrenta desafios significativos para alcançar a produção de semicondutores avançados de forma autônoma. Especialistas preveem que o país poderá produzir chips avançados de forma independente nos próximos cinco anos. Enquanto isso, os Estados Unidos e seus aliados continuam a reconfigurar a cadeia de suprimentos de semicondutores, buscando reduzir a dependência do sudeste asiático, embora enfrentem desafios culturais e empresariais nesse processo.
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 20/01/2025 21:24