71% das empresas da indústria criativa japonesa ocultam o uso de IA, diz pesquisa

A inteligência artificial já faz parte da rotina da maior parte das empresas da indústria criativa japonesa. Um levantamento da empresa japonesa Amana mostra que 71,4% das organizações que utilizam IA generativa não divulgam essa informação ao público ou aos clientes.

A pesquisa entrevistou 400 profissionais das áreas de criação e marketing corporativo no Japão. Entre eles, 59% afirmaram que suas empresas já utilizam IA generativa, enquanto 61,75% disseram que a tecnologia influencia decisões criativas internas, indicando que a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para ganhar espaço também nos processos de criação.

Os números não se referem exclusivamente ao setor de games, mas ajudam a retratar uma tendência que também vem sendo observada na indústria japonesa de desenvolvimento de jogos. Um levantamento da Computer Entertainment Supplier’s Association (CESA), divulgado em 2025, apontou que mais da metade dos estúdios japoneses já empregava IA em alguma etapa do desenvolvimento, principalmente para geração de imagens, ilustrações e textos.

Medo da reação do público pode explicar o silêncio

O estudo não identifica oficialmente por que tantas empresas deixam de informar o uso da tecnologia. Ainda assim, o contexto ajuda a entender esse comportamento.

Ferramentas de IA generativa continuam sendo alvo de críticas por questões envolvendo direitos autorais, uso de obras para treinamento dos modelos e impacto sobre empregos criativos. Não por acaso, copyright e propriedade intelectual apareceram como a principal preocupação dos entrevistados (32,5%), seguidos pela ausência de critérios claros para avaliar resultados produzidos por IA (24%) e pela qualidade inconsistente das respostas geradas (21,5%).

Outro dado chama atenção: 43,5% dos participantes disseram que suas empresas não possuem políticas claras para uso de IA ou sequer sabem se essas diretrizes existem, sugerindo que a adoção da tecnologia avança mais rapidamente do que a criação de regras internas.

O que muda para a indústria de jogos

Embora a pesquisa tenha abrangido toda a indústria criativa, o tema é particularmente relevante para os games.

No ecossistema do Steam, a Valve exige que desenvolvedores informem determinados usos de inteligência artificial, especialmente quando conteúdos gerados por IA chegam ao consumidor final. No entanto, nem todo uso interno da tecnologia — como auxílio na programação, brainstorming ou etapas preliminares de desenvolvimento — necessariamente aparece de forma explícita para o jogador, dependendo das regras vigentes e da forma como o recurso é empregado.

Isso significa que a presença da IA durante o desenvolvimento de um jogo pode ser maior do que aquela percebida pelo público.

Um detalhe que merece atenção

O dado mais curioso da pesquisa talvez não seja a taxa de adoção da IA, mas o fato de que a falta de transparência supera a própria adoção. Em outras palavras, esconder o uso da tecnologia parece ser uma prática mais comum do que deixá-la de lado.

Se essa tendência continuar, identificar quais obras tiveram participação significativa de IA poderá se tornar cada vez mais difícil, especialmente em setores criativos onde a divulgação desse tipo de informação ainda não é obrigatória.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 04/07/2026 20:36

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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